Inquérito vai apurar abusos em festa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de outubro de 1997
Osmani Costa Londrina 
Arquivo FolhaSob suspeitaCena da festa foi realizada sábado no Londrina Country: clube pode ter o salão interditado pela Justiça O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, determinou ontem a instauração de inquérito para investigar os excessos e possíveis crimes ocorridos durante a festa Sex War, realizada na noite do último sábado no Londrina Country Clube. Há denúncias e indícios de que grande parte das cerca de cinco mil pessoas que participaram da festa era formada por menores de idade, aos quais teriam sido vendidas bebidas alcoólicas e apresentados shows eróticos com homens e mulheres seminus.
O inquérito foi aberto no 1º Distrito da Polícia Civil e será presidido pelo delegado Edmo José Ermenegildo, que terá o prazo de 30 dias para apresentar o relatório final. Ele disse, na tarde de ontem, que pretende iniciar na próxima semana a tomada de depoimentos dos 15 comissários de menores que trabalharam na fiscalização da festa, policiais militares que estiveram no local e os responsáveis pela promoção do evento.
A promotora da Infância e da Juventude, Solange Vicentin, informou que já havia sido aberto - com base na autuação lavrada pelos comissários - um processo que apurará os excessos, as infrações e irregularidades cometidas pelos organizadores da Sex War. No final da tarde de ontem, ela aguardava a chegada do relatório apresentado pelos 15 comissários ao juiz da Infância e da Juventude, Dimas Ortêncio de Mello.
Com base nesse relatório, Solange Vicentin vai decidir se abre ou não um outro processo, administrativo, através do qual buscará apurar a responsabilidade do Country em relação às ilegalidades cometidas durante a festa de sábado. Os promotores da festa - sob coordenação de Fernando Madureira, dono de uma academia de Tae kwon-do - podem ser punidos com multas e responsabilização civil e criminal. O clube pode ter seu salão de festas interditado.
O juiz Dimas de Mello afirma que, conforme o relatório dos comissários, várias ilegalidades ocorreram durante a festa, entre as quais o descumprimento do alvará que proibia expressamente a entrada de menores de 18 anos no recinto.
Muitos menores entraram na marra, depois de forçar a entrada contra a ação de nossos comissários. Houve ainda a venda de bebidas alcoólicas, a exibição de danças eróticas e a imposição de vexame e constrangimento a menores, contrariando frontalmente o Estatuto da Criança e do Adolescente. Isso é muito grave, comentou o juiz, de posse do relatório, antes de enviá-lo à promotora Solange Vicentin.
O Country divulgou nota em que se exime de responsabilidade e afirma que apenas cedeu o espaço físico para a realização da festa ao senhor Fernando Madureira.
O clube diz lamentar as práticas ocorridas durante o evento e que está tomando as providências administrativas e judiciais para que as mesmas, tão desagradáveis, não venham mais a se repetir.
O promotor da festa, Fernando Madureira, não deu retorno às ligações telefônicas da Folha.


