Termina ainda neste mês o inquérito administrativo sobre o uso do provedor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para distribuir pornografia infantil na Internet. A promessa é da procuradora geral da instituição, Suzana Maranho, que coordena o processo. A citação para que o acusado apresente sua defesa está pronta para ser enviada. ‘‘O documento pode ser entregue ainda hoje (ontem)’’, disse Suzana. Depois de receber a citação, o estudante de Informática que utilizou o servidor para disponibilizar uma página com imagens de meninas nuas na rede mundial de computadores terá dez dias para apresentar suas últimas argumentações.
‘‘Todas as testemunhas foram ouvidas, inclusive o acusado’’, diz a procuradora. O aluno implicado terá acesso à íntegra dos depoimentos para elaborar sua defesa. ‘‘Temos dois endereços dele: um do local onde trabalha e outro da sala de aula na universidade’’, diz Suzana. ‘‘Temos também um número de telefone celular, mas não estamos conseguindo falar com ele’’, completa.
A procuradora informa que a comissão de inquérito vai se reunir imediatamente após receber a versão final do estudante para concluir o relatório. ‘‘Só aí poderemos nos manifestar a respeito da penalidade ou do arquivamento do processo’’, explica.
O caso foi tornado público no boletim de julho do Instituto Gutenberg, um centro independente de estudos da imprensa baseado em São Paulo. Através do site do estudante, que cursa o quarto ano de Informática, o usuário da Internet podia observar fotos pornográficas de crianças. Descoberta a página (http://www.inf.ufpr.com.br/frk93), houve o bloqueio do acesso no Centro de Computação Eletrônica da UFPR.
A repercussão do episódio levou o reitor da universidade, José Henrique de Faria, a convocar uma entrevista coletiva no dia 9 de julho para contestar a existência de uma rede de pornografia infantil na instituição, como um jornal de Curitiba insinuou. Faria não revelou o nome do aluno, mas garantiu que o estudante seria indiciado por uso inadequado do patrimônio público e poderia ser expulso ao final do inquérito administrativo.
O chefe do Departamento Acadêmico de Informática da UFPR, Armando Delgado, avisa que prossegue o levantamento do número de acessos para evitar novos problemas. Medida de rotina, a checagem passou a ser obrigatória quando ficou constatado que o site de pornografia infantil ocupava 95% da capacidade do sistema. O provedor da universidade tem mais de 2 mil usuários.

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