Curitiba - As investigações sobre a morte da estudante Rafaeli Lima, ocorrido em Porto Amazonas (51 km ao sul de Ponta Grossa), no dia 13 de julho deste ano, ainda estão na esfera policial. Hoje faz quatro meses do episódio que revoltou os moradores de Porto Amazonas. Durante uma abordagem policial, um dos soldados atirou contra o carro onde estava Rafaeli e um amigo, Diogo Shuhli, 20 anos. Os tiros acabaram acertando a cabeça da jovem e ferindo o rapaz. Os policiais teriam confundido o carro em que os jovens estavam com outro veículo que teria furado uma barreira da polícia.
O episódio revoltou os moradores de Porto Amazonas, que chegaram a promover uma manifestação e pedir Justiça. ''Esperávamos, pelo menos, que se mostrasse que a Justiça estava sendo feita'', lamentou o pai de Rafaeli, Jociel Alvelino Machado. ''Não foi feito nada ainda. Os policiais estão prestando serviço ainda. Não está sendo fácil para a gente'', queixou-se.
Segundo o promotor de Palmeira, Antonio Carlos Nervino, o Ministério Público ainda não se posicionou no caso porque não ficaram prontos os laudos de balística e da reconstituição.
Nervino já havia marcado uma reunião para o último dia 30 de outubro com outros promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em Curitiba, para analisarem o inquérito e definirem se ofereceriam denúncia à Justiça ou não. ''Eu já tenho uma posição formada sobre o caso, mas não quero me manifestar agora'', enfatizou o promotor. Ele fixou um prazo de 30 dias para os laudos ficarem prontos. Portanto, o inquérito deve voltar para as mãos do MP até o próximo dia 30, data que termina o prazo.
A delegada titular de Palmeira, Valéria Padovani de Souza, presidiu o inquérito durante as investigações. O promotor contou que a policial pode ainda pedir mais uma prorrogação para entregar o inquérito novamente, já que o MP julga os laudos fundamentais para tomar alguma definição. ''Já estou cobrando do Instituto de Criminalística'', respondeu a delegada, após ser questionada sobre a demora da emissão dos laudos.
A polícia já havia concluído o inquérito e indiciado um soldado por homicídio doloso. Outro soldado que também participou da abordagem não foi indiciado. Os dois ainda estão afastado das ruas, realizando trabalho administrativo.
O inquérito policial militar, aberto em paralelo à investigação da Polícia Civil, já foi concluído e o coronel Sérgio Vendrametto, responsável pelo Comando do Policiamento do Interior (CPI), não quis comentar o fato. Ele apenas informou que o caso já está com a Auditoria Militar. A Secretaria da Segurança Pública (Sesp) informou que os laudos devem estar prontos até o final deste mês.

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