Inquérito sobre morte de Django será desmembrado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de agosto de 1997
Célia Baroni 
Londrina
O inquérito que apura a morte de José Lopes de Oliveira, o Django, morto em 27 de abril na sede da Fazenda Borborema, em Tamarana, durante conflito com trabalhadores sem-terra, vai ser desmembrado em dois. O delegado do 3º Distrito Policial, Jurandir Gonçalves André, responsável pelas investigações, explica que a medida tem o objetivo de agilizar o processo e o possível julgamento dos envolvidos.
Ele argumenta que as investigações do crime são complexas e não deverão, a curto prazo, levar ao autor dos disparos. Isto não impede que o promotor inicie o processo e decida se deve ou não abrir ação penal contra os que já foram indiciados, afirma.
A conclusão da primeira parte do inquérito está dependendo apenas de um laudo da polícia técnica, trazendo os resultados oficiais da comparação entre as imagens feitas pela TV Londrina no dia do crime e as fotos do sem-terra Francisco Geraldo Pereira, principal suspeito da autoria do disparo.
Gonçalves André pretende encaminhar a primeira parte do inquérito ainda na segunda-feira para o Fórum. As investigações continuam no sentido de apurar o autor dos disparos. À medida que formos ouvindo novas testemunhas e recolhendo indícios da autoria, encaminharemos os resultados para a promotoria.
Nesta primeira parte do inquérito, o delegado indicia sete pessoas como co-autores da morte de Django. Entre elas, o líder do MST Josmar Choptian e os sem-terra Alcino Menezes e José Gomes da Silva. A pena de co-autoria é igual à de autoria: de 12 a 30 anos de prisão. O delegado pede ainda a manutenção do pedido da prisão temporária de Nivaldo e Nelson Siqueira e a decretação da prisão temporária de Francisco Geraldo Pereira, Cidão e Indião. Os três estão foragidos.


