Inquérito sobre fraude no HU chega à Justiça
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terça-feira, 05 de agosto de 2003
Mariana Guerin<br>Equipe da Folha 
Cascavel O juiz da 1 Vara Criminal de Cascavel, Moacir Dalla Costa, recebeu, anteontem, o inquérito policial sobre os desvios de recursos do Hospital Universitário (HU) da cidade. O processo contêm 72 depoimentos de 54 pessoas. Deste total, 18 foram indiciadas pelo delegado da 15 Subdivisão Policial (SDP), Tadeu Bello, e irão responder na Justiça por crimes de peculato, formação de quadrilha e fraude à licitação.
De acordo com o delegado, R$ 79.975 foram desviados do HU entre os meses de novembro de 2002 e fevereiro de 2003. ''O dinheiro foi desviado por meio da emissão de notas frias, sendo que os equipamentos e medicamentos supostamente comprados nunca foram entregues ao hospital'', explicou Bello, que ainda sugeriu a quebra do sigilo bancário dos envolvidos para saber quem realmente se beneficiou do dinheiro público desviado.
Entre os indiciados no inquérito policial estão funcionários de cargos de confiança do hospital e também os que participavam das licitações, o reitor afastado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e seus familiares, que teriam emprestado contas bancárias para o depósito de cheques utilizados no pagamento de produtos do hospital, além de um vereador e sua família. Os últimos são acusados de serem os responsáveis pelo esquema de emissão de notas frias de produtos que não eram entregues ao HU, e donos de uma das empresas que participaram da fraude.
O juiz Dalla Costa deve analisar o processo em dois dias e então, entregá-lo ao Ministério Público, que terá mais dez dias para denunciar ou não os acusados. Se for feita a denúncia, novos depoimentos deverão ser tomados para que os acusados apresentem suas defesas. ''Se não estivéssemos abarrotados de trabalho, seria mais rápido, mas nossa estrutura é a mesma há 20 anos'', afirmou o juiz, explicando que o caso poderá levar cerca de um ano para ser concluido.
Segundo Della Costa, caso os envolvidos sejam condenados, podem pegar de dois a 12 anos de prisão por peculato e de dois a seis anos por formação de quadrilha. Já pelo crime de fraude à licitação, os culpados poderão ficar até cinco anos presos.


