Um ano depois de aberto, o inquérito policial que investiga denúncias de corrupção na 8ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Campo Mourão avançou pouco. Apenas sete pessoas foram ouvidas. Todas elas aparecem no relatório da auditoria realizada no órgão com pessoas que obtiveram vantagens para fazer a carteira de motorista. Ainda será preciso ouvir outras pessoas, além de funcionários e ex-funcionários acusados de suborno.
O delegado-chefe da 16ª Subdvisão Policial, Roberval Butaccini, que preside o inquérito, diz que será preciso ouvir pelo menos mais 20 pessoas. ‘‘Não se trata de um inquérito fácil de ser concluído’’, frisa. Para complicar, de maio do ano passado, quando o inquérito foi aberto, até agora, o processo ficou cinco meses no fórum aguardando pedido do delegado justamente para ter mais prazo para concluir as investigações.
Das sete pessoas que prestaram depoimento na delegacia, todas negaram ter obtido alguma facilitação na hora de fazer a carteira. Elas também afirmaram que não deram dinheiro a nenhum funcionário da Ciretran para tirar a CNH. A versão contada na polícia é bem diferente daquela que aparece no relatório da auditoria. O relatório cita casos de pessoas que disseram apenas ter assinado o cabeçalho das provas de legislação, nas quais foram aprovadas.
‘‘Vamos ter que pedir uma acareação entre essas pessoas e os inspetores do Detran’’, diz Butaccini. No relatório da auditoria há casos, por exemplo, de motoristas que disseram ter feito a prova de legislação de trânsito em casa com a ajuda de funcionários da 8ª Ciretran. Outros contaram que receberam os formulários já preenchidos com as respostas certas. Por essas facilitações, eles tinham que pagar entre R$ 100,00 e R$ 200,00.
Na delegacia, as mesmas pessoas que teriam admitido o pagamento de propinas disseram que prestaram depoimento à auditoria sob a ameaça de prisão caso não ajudassem a desvendar o esquema de corrupação na Ciretran. O ex-chefe do órgão, Gentil de Lima Costa, também aparece no relatório confessando ter ajudado ‘‘quatro ou cinco’’ pessoas a tirar a carteira. Costa alega ter sido mal interpretado pelos auditores e ainda não foi ouvido pelo delegado. ‘‘Primeiro estamos ouvindo os motoristas’’, explicou.
À Folha, Costa negou envolvimento no esquema. ‘‘Sou o maior interessado na conclusão desse inquérito para provar minha inocência’’. O ex-chefe da 8ª Ciretran é pré-candidato a prefeito de Farol (25 km a oeste de Campo Mourão). Além de Campo Mourão, o esquema teria beneficiado motoristas de Luiziana, Roncador, Engenheiro Beltrão e Araruna. Até agora, porém, todos os acusados negaram qualquer tipo de ajuda ou de pagamento de subornos.

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