Arquivo Folha/Warren NabucoInsatisfeitoO delegado Leonyl Ribeiro: ‘Isso pode estar ocorrendo nos demais distritos policiais da Cidade’


Finalmente apareceu o inquérito que apura a morte de Claudinei da Silva Souza, ocorrida em 1º de maio de 1995, quando a vítima tinha 21 anos, com dois tiros - um deles na cabeça. Segundo o delegado José Carlos Bassalobre, que presidiu a investigação na época, o documento ficou ‘‘extraviado’’ dentro de uma gaveta do 4º Distrito Policial de Londrina e por isso não foi concluído.
No final da semana passada, a família de Claudinei esteve no Fórum de Londrina, acompanhada de advogado, e não viu nem sinal do inquérito. Preocupada com a possibilidade do crime ficar impune, a irmã da vítima, Cleide Aparecida de Souza, reclamou à imprensa. A Folha apurou que o inquérito não havia sido enviado ao Fórum e, naquele dia, não foi encontrado pelo escrivão do 4º DP.
‘‘Na época foi feita quase toda a documentação, faltando apenas um dos laudos’’, disse o delegado. ‘‘Mas de certa forma ficou extraviado, dentro de uma gaveta’’. Segundo Bassalobre, o inquérito foi reencontrado, concluído e enviado ainda na terça-feira à tarde ao Fórum de Londrina.

Inquérito será
distribuído para
1ª Vara Criminal
ainda hoje


‘‘Relatamos e concluímos que realmente houve o crime’’, disse. Na época, foi indiciado o office boy Joel da Silva Ribeiro como autor dos tiros. O motivo do crime teria sido ciúme: um conquistou a namorada do outro.
José Carlos Bassalobre completou que, apesar de concluir o inquérito, solicitou ao Instituto de Criminalística o exame de balística. Com esse exame, será possível apontar se a arma apresentada pelo autor dos disparos é a mesma que matou Claudinei, a partir da comparação com o exame de proeficiência.
Quem não ficou satisfeito com a história do inquérito desaparecido foi o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Leonyl Ribeiro. ‘‘Isso não pode acontecer, esse negócio de gaveta não tem cabimento. Alguém é responsável’’, disse.
Ele confirmou que o prazo para conclusão de um inquérito é de 30 dias e, depois disso, deve ser enviado ao Fórum para que o juiz tome conhecimento, mesmo que não estiver concluído. ‘‘Às vezes demora um pouco mais, 35, 40 dias, mas depois tem que ir ao Fórum. Isso é o que diz a Lei, não pode ficar todo esse tempo’’, afirmou.
Leonyl Ribeiro disse que ia tomar conhecimento da situação para saber que medida é cabível ao caso. Uma das preocupações do delegado-chefe é que se isso acontece num distrito, também pode estar ocorrendo em outros.
Até ontem à tarde, o inquérito estava no setor de distribuição do Fórum e deverá ser encaminhado hoje pela manhã à 1ª Vara Criminal.

mockup