Inquérito que investiga PMs deve ser arquivado
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de janeiro de 1997
Ivan Santos 
Da Sucursal
O Comando de Policiamento da Capital deve arquivar nos próximos dias, o processo que apurava denúncias de extorsão contra três policiais do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), que atuavam no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais. Segundo a denúncia, encaminhada ao comando da polícia pelo sargento Marcos Antonio Motta no início de dezembro, três PMs estariam exigindo uma caixinha mensal de R$ 100,00 para não multarem os motoristas de táxi que trabalham no aeroporto.
Os PMs eram acusados ainda pela gerente da Livraria Guignone do Afonso Pena de exigirem revistas para deixarem motoristas que faziam entrega na loja estacionarem em locais não permitidos. Por causa das denúncias, os policiais foram afastados do serviço no aeroporto e deslocados para serviços administrativos no BPTran.
O inquérito, dirigido pelo 1º tenente Gilberto Oliveira Júnior, foi encerrado e entregue ao comandante do CPC esta semana. Oliveira inocentou os policiais das acusações, já que os taxistas que haviam feito as denúncias desmentiram tudo. Inicialmente, os taxistas reivindicavam o cancelamento de quatro multas, que segundo eles, tinham sido aplicadas em represália por não aceitarem a extorsão dos policiais.
Taxistas não
sustentaram acusação
de tentativa
de extorsão
Os taxistas estavam é acostumados com policiais condescendentes, comentou ontem um assessor da PM. Segundo o inquérito, os taxistas teriam desafiado os PMs. Podem multar a vontade que nós derrubamos a multa, teria dito um dos taxistas aos soldados.
Sobre as reclamações da gerente da Guignone, o inquérito nega que os policiais tenham pedido revistas, afirma que o marido dela teria estacionado duas vezes em local não permitido e ainda insultado os policiais com palavras de baixo calão.
O coronel Guaraci Moraes Barros, que comanda o 17º Batalhão da PM, de São José dos Pinhais, reconhece que talvez tenha havido falta de tato por parte dos policiais não acostumados com o serviço no aeroporto. O Afonso Pena é nosso cartão de visitas e precisamos de pessoas mais preparadas para o contato com esse tipo de público, afirma. Segundo Barros, para resolver este problema, o policiamento no aeroporto passará em breve a ser feito exclusivamente por policiais femininas. O BPTran está treinando 20 policiais femininas para esse trabalho, disse o coronel.


