Inquérito que apura os dois assassinatos indicia quatro PMs
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Cristine Pieske 
O Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga a morte dos evangélicos Samuel dos Santos e Antônio Marcos da Rocha, ocorrida no dia 6 de fevereiro na Vila Conquista, em Curitiba, confirma a participação de quatro policiais militares no homicídio. O IPM, concluído ontem pelo capitão Sérgio Vendrametto, do 13º Batalhão da Polícia Militar, indicia os soldados Bento, Farias e Waldinei como co-autores do crime. A conclusão desmente a versão inicialmente apresentada pelo soldado Siumar Antônio da Silva, que tinha assumido sozinho a autoria do crime.
Desde o dia do crime, os três soldados estão afastados do serviço externo do 13º Batalhão, cumprindo funções administrativas. Apenas o soldado Siumar, que confessou ter matado os rapazes por engano, está preso no Centro de Triagem. Com a conclusão do IPM, o inquérito deverá enviado para a Auditoria Militar para que o crime seja julgado.
Os soldados Bento, Farias e Waldinei, todos do 13º Batalhão, confirmaram em depoimento que estiveram na noite do crime no Monte Santo, na Vila Conquista, local onde os evangélicos foram assassinados enquanto rezavam. Eles disseram, no entanto, que não chegaram a entrar em contato direto com rapazes e que somente participaram das buscas a supostos assaltantes de carro que estariam escondidos naquela região. Assim que chegaram no local, os soldados disseram que receberam um alerta do soldado Siumar, que afirmava ter visto alguns vultos no alto do morro. No depoimento, Bento Farias e Waldinei disseram que, depois de terem recebido o aviso, disparam tiros para o alto na tentativa de intimidar os supostos assaltantes.
A reconstituição do crime foi feita na segunda-feira passada pelos quatro soldados. Segundo o capitão Vendrametto, responsável pelo inquério, o soldado Siumar somente aceitou fazer a reconstituição se a imprensa não estivesse presente. As fitas de vídeo e algumas fotos com cenas da reconstituição foram anexadas ontem no inquérito.
Algumas dúvidas levantadas pelo laudo do Instituto Médico Legal (IML) do corpo dos evangélicos não foram resolvidas pelo inquérito. O laudo demonostrou que os evangélicos receberam tiros de armas de calibres diferentes, o que pode ser um indício de que houve a participação direta de mais de uma pessoa no duplo homicídio.
O delegado da Delegacia de Homicídios, Stélio Machado, diz que também continuará investigando o crime. Ele afirma que o inquérito da Polícia Civil ainda não foi concluído e que somente deverá ser divulgado na semana que vem.


