A Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina deve encaminhar em breve uma representação à Polícia Civil solicitando abertura de inquérito para apurar o comércio irregular de lotes em terrenos públicos. Esta foi a decisão tomada ontem de manhã, durante reunião realizada na Cohab entre o presidente da companhia, Wilson Mandelli, o delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Wanderci Corral Fernandes (ele assume hoje a chefia da Subdivisão), e o presidente da Federação das Favelas, Assentamentos e Núcleos, José Ricardo da Silva.
A reunião foi solicitada por Wilson Mandelli por acreditar que é preciso ter apoio da Polícia Civil para coibir esta prática. Segundo José Ricardo da Silva, cerca de 30% do total de pessoas que moram em assentamentos na Cidade são especuladores - pessoas que participam de invasões junto com os sem-teto com o objetivo de comercializar o lote.
Ontem, durante a reunião, não foram citados nomes de possíveis especuladores. Wilson Mandelli explica que o levantamento destes nomes irá ser realizado entre a Cohab e a Federação, cruzando dados que as duas entidades têm sobre os moradores dos assentamentos. ‘‘Vamos checar se tem pessoas que estavam em um lote, passaram para outro e depois foram para um terceiro’’, exemplifica. ‘‘Queremos uma explicação do porquê estas pessoas estão fazendo este rodízio’’, completa.
Segundo o presidente da Cohab, assim que este levantamento der algum resultado (identificar algum especulador), será encaminhado para representação à Polícia Civil. Ele não quis falar em prazos, mas acredita que na próxima semana a solicitação de instauração de inquérito deve ser encaminhada.
Wanderci Fernandes relata que, tendo um nome de suspeito, já é possível instaurar inquérito. Ele diz que será nomeado um delegado para presidir o trabalho e que as investigações serão sigilosas. ‘‘Talvez os especuladores nem vão saber quem está denunciando. Vamos fazer de tudo para preservar a integridade das pessoas que denunciarem os casos’’, afirma. O delegado explica que o ato de comercializar irregularmente os lotes é crime de estelionato. A pena é de um a cinco anos de reclusão.
Wilson Mandelli ressalta que o trabalho de coibir a venda de lotes não tem o objetivo de punir as pessoas humildes, que acabam sendo iludidas pelos especuladores. Ele ressalta que muitas delas são ameaçadas e coagidas pelos especuladores e daí o medo de denunciar o crime. ‘‘O poder público não pode ficar omisso, tem a obrigação de tomar uma posição’’, ressalta.
Na opinião do presidente da companhia, o trabalho que está sendo realizado tem o objetivo também de verificar se as invasões em terrenos públicos ou privados têm cunho social ou especulativo. Ele observa que após conseguir coibir a ação dos especuladores, haverá mais espaços para que a Cohab possa atender pessoas que realmente necessitam de terrenos. Também participaram da reunião ontem o assessor jurídico da Cohab, Jayter Cortez Filho, e o responsável pelo setor social da companhia, Humberto Lima.

mockup