Umuarama - O delegado José Teodoro Guimarães, de Cidade Gaúcha, instaurou inquérito para apurar se houve negligência no acidente nas obras da ponte sobre o Rio Ivaí, entre Tapira e Santa Mônica. O operário Selmo José Miranda Corrêa, 23 anos, morreu na queda de um andaime no último dia 12, e os operários reclamam da falta de segurança no canteiro de obras, de responsabilidade da empreiteira Arteleste, de Curitiba. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Obras de Pavimentação (Sintrapav), de Maringá, Luiz Alves de Oliveira, diz que está acionando o Ministério do Trabalho para fazer esta semana uma vistoria no canteiro e pedir a interdição da obra se houver irregularidades.
Segundo laudo do Instituto Médico Legal (IML), Corrêa morreu por afogamento e não de traumatismo craniano. Ao cair, ele bateu a cabeça numa plataforma flutuante utilizada para transporte de material que estava ancorada próximo ao pilar da ponte, desmaio e afundou. Outros dois operários caíram na água e conseguiram sair. O corpo de Corrêa só foi resgatado no dia seguinte. Os dois sobreviventes, Antônio Lima e João Martins da Costa, disseram à polícia que a estrutura desabou quando haviam acabado de entrar no andaime e ainda não tinham prendido o cinto de segurança. O mestre-de-obras Valmir Fernandes alegou que havia checado a estrutura antes e não havia nenhum problema. ‘‘Estamos aguardando o resultado da perícia para saber o que provocou a queda do andaime’’, disse o delegado.
Diretores da Arteleste negam que as condições de segurança sejam precárias. Eles aguardam o resultado das investigações para checar se houve falhas. Em 199l, o Ministério do Trabalho já havia interditado outro canteiro de obras da empresa depois da morte de um operário. Na época, a empresa declarou que o trabalhador morreu naturalmente no alojamento, mas testemunhas afirmaram que ele passou mal depois de ficar muito tempo dentro de uma câmara de compressão, equipamento utilizado para construir as fundações no leito dos rios.

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