Inquérito livra os PMs de culpa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de abril de 1997
Paulo Ubiratan 
O Inquérito Policial Militar (IPM) que apura a morte em Ibiporã do pastor José Idalécio Bueno foi encerrado ontem e inocentou os policiais militares que estão envolvidos no caso. No entanto, a pedido do comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), Marino Ari Burile, o responsável pelo IPM, tenente Luis Francisco Serra, deverá dar mais detalhes e fundamentar melhor sobre seu parecer no inquérito. Nós devolvemos o inquérito para o tenente Serra apenas para que ele nos dê mais detalhes sobre determinados tópicos, disse o comandante. Em seu relatório, Serra concluiu que não houve transgressão disciplinar nem indícios de crime militar.
O comandante do 5º BPM enfatizou que, pelas conclusões dos laudos técnicos fornecidos pelos Instituto Médico Legal, as lesões encontradas no corpo do pastor, que teriam sido provocadas pelos PMs, não causaram a morte. Até sexta-feira, o IPM deverá voltar para Burille, que vai analisá-lo e encaminhá-lo ao comando geral da Polícia Militar, em Curitiba. Na sequência, o inquérito deverá ser levado à Justiça Militar, onde o juiz auditor deverá remetê-lo ao promotor da mesma Corte. O promotor deverá avaliar se formalizará ou não as denúncias contra os PMs.
Os policiais acusados são o sargento Levi Teófilo, os soldados Antônio Marcos Pereira, Amilton Rodrigues dos Santos e João Reis. Estão também acusados os policiais rodoviários Florisvaldo de Jesus Spolador, Aluísio Martins Cardoso, Dirson Domingos Thomé, Sérgio Noveli e Claudio Cruz de Oliveira. Bueno morreu no dia 9 de março dentro de uma viatura da PM, após discussão de trânsito na BR-369, em frente ao posto rodoviário de Ibiporã. Testemunhas afirmam que Bueno foi espancado. Ele teria ofendido o sargento Teófilo. Os policiais afirmam que apenas usaram da força necessária para conter a vítima, que estaria embriagada. Segundo o IML, Bueno morreu asfixiado pelo próprio vômito.
Além do IPM, tramita um inquérito na Justiça comum para também apurar a morte do pastor, presidido pelo delegado Edmo Ermenegildo. Outro inquérito, dirigido pelo delegado Itiro Hashitani, apura responsabilidade do quebra-quebra do posto da Polícia Rodoviária e da delegacia de Ibiporã, provocado por pessoas revoltadas com a morte de Bueno, no dia 16 de março.


