Sarandi - A Polícia Civil de Sarandi (7 km de Maringá) abriu ontem inquérito para apurar os crimes de tortura, homicídio, cárcere privado e sequestro, que teriam sido praticados por policiais do 4º Batalhão da Polícia Militar de Maringá. A investigação foi solicitada pelo advogado Adelino Garbuggio, que também protocolou uma representação criminal no Fórum de Sarandi e encaminhou informações sobre o caso para 25 organismos brasileiros e internacionais ligados aos direitos humanos. A PM é acusada de matar Mizael Trevisan, 22 anos, e de torturar outros quatro presos depois de uma operação realizada, na semana passada, em um casa onde funcionava um ponto de venda de crack em Sarandi.
Segundo o delegado José Maurício Lima Filho, o inquérito foi encaminhado à 9Subdivisão Policial de Maringá para a designação de um delegado especial. Lima informou que o inquérito será dividido para apurar os crimes de homicídio e sequestro em Sarandi e o de tortura e cárcere privado em Maringá. para onde os presos foram levados. O delegado afirmou que se sente impedido de investigar as acusações de tortura e homicídio porque já atua no inquérito do crime de tráfico de drogas.
A morte de Mizael foi relatada pelos irmãos Jeziel e Oziel Trevisan, que estavam na casa no dia da operação policial. Eles disseram que a polícia atirou na cabeça de Mizael, mesmo depois dele ter levado um tiro no braço e estar caído no chão. ''Os policiais disseram que só não nos mataram porque a imprensa viu que estávamos vivos quando saímos da casa para o batalhão'', afirmou Jeziel. Os irmãos e outros dois homens - um pedreiro e um metalúrgico presos por engano - foram levados para o batalhão e relataram uma sessão de tortura de mais de cinco horas por homens da P2 (polícia reservada), da Rone e policiais fardados da PM.
O comandante do 4º BPM, Erbt Afonso Pinto, disse que pediu a abertura de um inquérito policial militar para apurar as circunstâncias em que ocorreram a morte de Mizael e as agressões dos presos dentro do batalhão.

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