Inquérito investiga tiro em menino de 5 anos
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Célia Baroni 
Bala perdida ou acidente doméstico? O delegado do 5º Distrito Policial de Londrina, Edson Casagrande, abriu inquérito para apurar o que realmente aconteceu com Felipe da Rocha, de 5 anos. Por volta do meio-dia de segunda-feira, o menino deu entrada no pronto-socorro da Santa Casa vítima de um disparo no abdômen.
Com o intestino perfurado pela bala, Felipe Rocha foi submetido a uma cirurgia de emergência. No mesmo dia o garoto foi transferido para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Infantil. Ontem, ele deixou a UTI e foi transferido para a Enfermaria, onde permanece acompanhado pela mãe. Segundo a diretora de Enfermagem do Hospital Infantil, Josete Martini, o estado de saúde dele ainda inspira cuidados, mas a evolução está sendo boa.
Moradora do jardim Paraíso (zona norte), a mãe do menino, Sandra Rocha, disse à polícia que Felipe foi atingido por uma bala perdida enquanto brincava no quintal de casa. A versão da mãe, no entanto, pode não ser verdadeira. A Folha esteve no bairro conversando com moradores e vizinhos da família. Eles não acreditam na possibilidade de uma bala perdida ter atingido o menino. Dizem que o último tiroteio foi há mais de dois meses e provocado por bandidos que invadiram a favela para tentar se esconder da polícia. O lugar aqui é bem tranquilo, garante uma senhora que não quis se identificar.
A polícia está investigando a hipótese da criança ter se ferida quando brincava com a arma do pai. Moradores e vizinhos da família não quiseram colaborar com a polícia e não disseram nada. Mas pessoas que preferiram não se identificar afirmam que Felipe se feriu dentro de casa. Ele teria conseguido subir no guarda-roupa onde o pai guardava a arma, disparando o tiro acidentalmente.
O pai do menino trabalha na construção civil e estava no serviço quando o acidente aconteceu. Se a tese for comprovada, o pai do garoto vai responder por porte ilegal de arma, crime sujeito a pena de até 4 anos de prisão. Como, por enquanto, não há testemunhas, o delegado Casagrande vai aguardar que Sandra Rocha se apresente para depor. Ela deverá comparecer ao 5º DP assim que o filho sair da UTI e estiver fora de perigo.


