A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar os comentários pejorativos, preconceituosos e ofensivos contra funcionários e pacientes do Hospital Universitário (HU) feitos por um grupo de cerca de 20 residentes e ex-residentes do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Segundo o delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial, Márcio Vinícius Amaro, as investigações visam apurar a prática dos crimes de injúria qualificada por preconceito racial e injúria simples, que prevêem penas de reclusão.
Os comentários feitos estavam hospedados em duas comunidades de internautas criadas em outubro do ano passado. As mensagens foram retiradas do ar em maio deste ano, depois que as conversas ''vazaram'' para servidores do HU. Os envolvidos apelidaram os funcionários de ''trolls'' (''seres abomináveis, repugnantes e comedores de carne humana'') e usaram expressões como ''macaca de 15 arrobas'', ''orangotango'', ''bicha da noite'', ''traveco'' e ''prenhas nojentas'' para se referirem a servidores e pacientes.
O delegado informou que ouviu algumas vítimas e está municiando o inquérito com cópias das páginas, reportagens e espera contar também com os resultados das sindicâncias feitas pela UEL e pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). A assessoria da reitora Lygia Pupatto disse que o material está sendo analisado e que hoje poderá sair a decisão se será ou não instaurado processo administrativo contra os envolvidos que ainda estão vinculados à instituição.
Para Amaro, não será difícil a condução do inquérito porque no próprio site está impresso o que disse cada um dos envolvidos. ''Eles podem negar, mas os indícios são fortes'', afirmou. Se forem levados a julgamento e condenados, os envolvidos no crime de injúria qualificada estarão sujeitos a pena de reclusão de um a três anos. No caso de injúria simples, a pena varia de um a seis meses de prisão. As punições, entretanto, poderão ser substituídas por penas alternativas.
Os comentários também estão investigados pela Polícia Federal. O delegado Pedro Paulo de Figueiredo tomou depoimentos de algumas vítimas e também espera os relatórios das sindicâncias feitas pela UEL e CRM.

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