Inquérito indica falhas na Cacique
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segunda-feira, 20 de setembro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Quase um ano após o acidente que matou dois operários e deixou um terceiro com graves sequelas, ocorrido na fábrica da Companhia Cacique de Café Solúvel em Londrina (Zona Oeste), nenhum responsável foi autuado e familiares das vítimas não receberam qualquer indenização. O inquérito ainda nem foi concluído e uma nova investigação já começou, agora para apurar as causas de um outro acidente que aconteceu há exatamente uma semana. Frente às ocorrências, o Ministério Público (MP) decidiu oficiar ao Município e a Subdelegacia Regional de Trabalho (DRT) para efetuarem inspeções em todos os setores da fábrica da Cacique.
''Queremos verificar se o ambiente de trabalho está respeitando as condições necessárias à segurança dos funcionários. Foram dois acidentes em menos de um ano. É uma situação assustadora'', afirmou o promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais e da Saúde, Paulo Tavares.
Segundo o promotor, o MP resolveu ajudar a polícia nas investigações do acidente de 2003, tomando depoimentos e reinquerindo algumas testemunhas. Ele atribuiu a demora na conclusão do inquérito aos aspectos extremamente técnicos que envolvem o caso, e diz que espera ter os resultados em mãos até o mês que vem. Tavares também aguarda o parecer de um engenheiro de trabalho da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O laudo do Instituto de Criminalística anexado ao inquérito já apontou que os operários acidentados em 2003 estavam sem equipamento de proteção individual. ''Por esse laudo, podemos perceber que houve omissão por parte da empresa. A princípio, caracteriza negligência de quem deveria fiscalizar a segurança dos trabalhadores'', assinalou o promotor. Se isso for comprovado, os responsáveis irão responder por homicídio culposo. ''Tanto pode ser um engenheiro mais diretamente ligado ao setor onde ocorreu o acidente quanto algum diretor da empresa'', acrescentou.
Na terça-feira passada, uma explosão nas colunas extratoras de café destruiu parte da fábrica e deixou três funcionários feridos. Um deles, o operador de máquinas Cirso Domingues Sanches, 50, teve fratura nas mãos e continuava internado na Santa Casa de Londrina até ontem. Já no acidente ocorrido em 15 de outubro de 2003, o rompimento de uma tubulação provocou queimaduras graves em três operários. O mecânico Aparecido Francisco Alves, 34, morreu no mesmo dia. O projetista Franklin de Oliveira Gomes, 68, ficou uma semana internado mas também não resistiu. Leandro Moreira Blanco, 21, sobreviveu mas ficou com sequelas.
O subdelegado do Trabalho em Londrina, Aurélio Sugayama, disse que o órgão não pôde levantar as causas da explosão ocorrida em 2003 porque não dispunha do aparato técnico necessário. A DRT constatou, contudo, que os operários não tinham os equipamentos de segurança necessários na área do acidente. ''Eles tinham equipamentos adequados apenas ao serviço que estavam fazendo naquele momento, mas era um trabalho que nada tinha a ver com a tubulação que rompeu'', comentou.
Sobre a explosão da semana passada, Tavares afirma ser muito provável que novamente tenham faltado condições de segurança aos trabalhadores. ''Por alguns relatos que já ouvimos, podemos dizer que só não houve mortos por um milagre''. O relatório da DRT sobre esse incidente deve sair nesta semana.
No final da tarde, a assessoria da empresa disse que o Instituto de Criminalística já liberou o local danifacado na semana passada para que sejam feitos os reparos necessários para que o setor volte a funcionar.


