A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de quatro garotas numa piscina em Cascavel, no dia 12 de março, mantendo a tese de múltiplo afogamento que desde o início havia sido indicada pelo Instituto Médico-Legal (IML). Segundo o delegado Nobuo Nagasse, que presidiu o inquérito, o casal proprietário da piscina (hoje interditada), que cobrava R$ 2,00 de cada frequentador, foi indiciado por homicídio culposo (não intencional) por não haver qualquer equipamento de segurança no local, como bóias ou salva-vidas.
Os corpos de Caroline Biaggi e Franciele Santos, ambas de 12 anos, e Juliana da Silva e sua prima Jaqueline da Silva, ambas de 13 anos, foram encontrados por volta das 15 horas, boiando na piscina, no bairro Claudete (zona norte). As garotas faltaram à aula no Colégio Polivalente, que fica nas proximidades, sem que os pais soubessem. O proprietário da piscina, Aires Pereira, 60 anos, disse que não estava no local. A mulher dele, Lídia Pereira, 56, alega que nada viu ou ouviu, porque estava em casa, distante alguns metros da piscina.
Não havia outras pessoas no local, por isso não houve testemunhas que pudessem orientar as investigações. A Polícia manteve a versão do IML, de que ocorreu asfixia por afogamento. Segundo o delegado Nobuo Nagasse, há indicativos de que duas garotas ‘‘sabiam nadar razoavelmente, e outras duas não sabiam nadar’’. A versão de que os quatro afogamentos ocorreram ao mesmo tempo, sem que houvesse gritos das garotas, levantou várias especulações. A Polícia chegou a considerar a possibilidade de que elas tivessem ingerido alguma substância que tivesse resultado em intoxicação rápida e fatal.
Amostras de sangue coletadas dos corpos foram enviadas para o Laboratório de Toxicologia da Secretaria de Segurança Pública, mas até ontem os resultados não haviam sido comunicados à Polícia Civil. A alegação dos responsáveis pelo laboratório, feita ao delegado Nobuo Nagasse, foi de que equipamentos para os exames estavam estragados. À Folha, a outros órgãos de Imprensa, e aos pais das garotas que procuraram informações, nenhuma explicação foi dada para a demora no conserto dos equipamentos. Segundo Nagasse, os resultados, se chegarem às suas mãos, serão encaminhados à Justiça.
‘‘Se houver algum indicativo de substância tóxica, obviamente o Ministério Público poderá pedir a reabertura do caso’’, acrescenta o delegado. Segundo ele, ‘‘é aceitável’’ a conclusão de que as quatro garotas tenham se afogado nas mesmas circunstâncias e ao mesmo tempo, pois a piscina tem mais de 2 metros de profundidade. Nagasse cita um caso ocorrido no final do ano passado, no Rio Tormenta, nas proximidades de sua foz no Rio Iguaçu (entre os municípios de três Barras do Paraná e Boa Vista da Aparecida), ‘‘quando três homens morreram afogados em águas mansas’’.
Florisvaldo da Silva e Orestes da Silva, pais de Juliana e Jaqueline, e Valdecir Biaggi e Francisco dos Santos, pais de Eva e de Franciele, respectivamente, asseguram que elas nunca usaram drogas e não aceitam esta possibilidade.

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