Edson MazzettoRio ParanáO transporte fluvial e a extração de areia na região de Guaíra é marcado pela disputa entre as duas empresas da mesma família O delegado especial Edu Furtado Filho, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil, concluiu ontem o inquérito para apurar a autoria das mortes de Quinto Andreis, 60 anos, e seu filho Celso Luiz Andreis, 34, assassinados a tiros no dia 10 de julho de 1996. Os dois eram proprietários da Mineradora Floresta, de Guaíra, que atua no transporte fluvial e extração de areia. Os crimes tiveram grande repercussão no Estado.
Furtado Filho, que deve entregar o inquérito hoje à Justiça, indiciou quatro pessoas: Milton José Andreis, 35 anos, sobrinho de Quinto e dono da empresa F. Andreis, do mesmo ramo da Floresta; Roque Fabiano Silveira, 32 anos, filho do ex-prefeito Osvaldino da Silveira e Ada da Silveira, comerciante em Guaíra e no Paraguai; Cláudio Manfriedi Batschke, 45 anos, dono de uma revenda de motocicletas; e Jolcimar Luiz Pes, 26 anos, barqueiro que trabalhava no Rio Paraná.
Quinto e Celso Luiz Andreis foram mortos com vários tiros na frente da casa do primeiro, por dois homens que usavam uma motocicleta. As investigações sobre o caso foram conduzidas por quatro delegados diferentes. Edu Furtado foi designado há oito meses, ouviu 100 pessoas e completou o inquérito com 800 páginas. O ponto de partida das investigações foi a prisão preventiva do barqueiro Jolcimar, que continua preso, e a localização da motocicleta usada pelos criminosos.
Jocilmar transportou os assassinos em um barco, antes e depois do crime, quando ocorreu a fuga para o Paraguai. Os criminosos não conseguiram colocar a motocicleta no barco porque ela escorregou e afundou no Rio Paraná, onde depois foi encontrada por um pescador. A polícia descobriu que a moto havia sido vendida pela firma de Cláudio Batschke, de Marechal Cândido Rondon. Cláudio disse não saber identificar o comprador e não ter preenchido nota de venda.
O barqueiro foi ouvido várias vezes no inquérito e prestou depoimentos confusos. Ele disse que havia sido contratado para colocar o barco à disposição de um homem, que conheceu apenas como João Paulo, para ‘‘mostrar a cidade a ele, que não conhecia Guaíra’’. Testemunhas e um retrato falado levaram a polícia a apontar esse homem como um dos matadores. O paradeiro dele é desconhecido. Roque da Silveira é apontado como responsável pelo pagamento de R$ 5 mil ao barqueiro pelos serviços de transporte.
Segundo o delegado especial, o barqueiro disse que Roque e Milton José da Silva estariam envolvidos na morte de Quinto e Celso Luiz Andreis. No inquérito, não há citação a Roque neste sentido, mas o delegado diz ter fita gravada na qual o preso o aponta como envolvido. O barqueiro disse ontem à Folha ser inocente. Ele alegou que apenas foi pago para prestar serviço, e queixou-se de não ter tido o direito de ter um advogado para acompanhá-lo nos depoimentos.
O barqueiro foi formalmente pronunciado pela Justiça e é assistido por dois advogados de Guaíra. Em seus depoimentos, Roque da Silveira e Milton Andreis negaram qualquer envolvimento. Segundo eles, o barqueiro inventou toda a história. Os dois foram procurados ontem pela Folha, mas a informação nos escritórios onde trabalham foi de que estavam em viagem, sem previsão de volta.
O delegado admite que dispõe apenas da motocicleta e de um recibo bancário como provas materiais do crime. O recibo, de R$ 3 mil, é referente a parte do pagamento que teria sido feito por Roque ao barqueiro. O indiciamento de Milton José Andreis e Roque Fabiano da Silveira ocorreu a partir das declarações do barqueiro.

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