O delegado do 1º distrito policial de Londrina, Edmo Ermenegildo, deve receber de volta, nos próximos dias, o inquérito que apura a morte do pastor José Idalécio Bueno, 36 anos, ocorrida no dia 9 de fevereiro, em Ibiporã. Ele teria morrido após ser espancado por policiais militares. O delegado solicitou à Justiça de Ibiporã prorrogação do prazo para levantar informações pedidas pelo Ministério Público.
Edmo Ermenegildo concluiu e remeteu o inquérito ao Fórum de Ibiporã no dia 10 de abril. Alguns dias depois, o promotor Pedro Carvalho Santos Assinger devolveu o inquérito ao delegado. Entre outras solicitações, o promotor pediu que a polícia arrolasse uma nova testemunha e pegasse novos depoimentos de alguns dos acusados pela morte.
Além disso, o promotor pediu informações mais detalhadas do Instituto Médico Legal (IML) sobre as lesões encontradas no corpo do pastor. Ele quer que os peritos respondam a 16 perguntas, todas baseadas nas lacunas deixadas pelo laudo de necrópsia. Pedro Assinger quer esclarecer, por exemplo, por que não foram encontrados sinais de sangue no cadáver ou nas roupas do pastor, e se foi constatado vestígio de sangue na viatura.
Segundo o delegado, todas as solicitações feitas pelo promotor foram cumpridas, com exceção daquela referente ao IML. Ele disse que oficiou a chefia do IML, mas até hoje não obteve resposta. Justamente pela falta de informações dos peritos do Instituto, o delegado remeteu, no dia 20, o inquérito ao Fórum de Ibiporã solicitando novo prazo.
Ontem à tarde, o promotor Pedro Assinger informou que o prazo foi concedido e o inquérito deve seguir para o delegado em breve. O delegado explica que assim que tiver novamente o inquérito em mãos, irá enviar outro ofício ao IML solicitando as informações.
O pastor Bueno morreu após uma discussão de trânsito com policiais militares e rodoviários. Ele foi detido por PMs na BR-369, entre Ibiporã e Londrina, sob a alegação de direção perigosa. Em frente ao posto da Polícia Rodoviária de Ibiporã, o pastor discutiu com os policiais e foi colocado em uma viatura, onde teria morrido afogado no próprio vômito.
Os policiais militares acusados são o sargente Levi Teófilo e os soldados Antônio Marcos Pereira, Amilton Rodrigues dos Santos e João Reis. Também estão envolvidos no caso os policiais rodoviários Florisvaldo de Jesus Spolador, Aluísio Martins Cardoso, Dirson Domingos Thomé, Sérgio Noveli e Cláudio da Cruz Oliveira.
A morte do pastor está sendo apurada também por um Inquérito Policial Militar (IPM), que foi encerrado no dia 28 de abril e concluiu que os policiais militares são inocentes. O responsável pelo IPM, tenente Luis Francisco Serra, afirma que não houve transgressão disciplinar nem indícios de crime militar.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Marino Ari Burille, explica que, a seu pedido, o tenente Serra fundamentou melhor a conclusão e entregou o relatório no dia seguinte. ‘‘O inquérito já foi remetido para Curitiba, ao Comando Geral da PM.’’ O Comando Geral deve analisar o IPM e enviá-lo à Auditoria Militar, que será responsável pelo caso. A Promotoria vai decidir se fará denúncia contra os acusados.

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