Luciana Pombo
De Curitiba
O inquérito que apura o assassinato do empresário Miguel Siqueira Donha, de 51 anos, diretor da Corretora de Seguros Banestado e presidente do diretório municipal do PPS em Almirante Tamandaré, será concluído hoje à tarde e remetido para o Fórum de Rio Branco do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. Pela manhã, o funcionário público Antônio Martins Vidal, conhecido como ‘‘Tico’’ e apontado como mandante do crime, será ouvido novamente na Delegacia de Homicídios. A intenção era a de fazer uma acareação entre ele e o desempregado Edson Farias, de 19 anos, assassino confesso. ‘‘Infelizmente não conseguiremos fazer a acareação. Mesmo assim, terei que concluir e relatar o inquérito’’, declarou Vanessa Alice, delegada de Homicídios e presidente do inquérito.
Donha foi assassinado no dia 22 de janeiro. Ele foi sequestrado com a mulher na entrada da chácara do casal, em Almirante Tamandaré. Os sequestradores deixaram a mulher dele, Iara Donha, no caminho e abandonaram o empresário em Itaperuçu. Eles levaram o relógio e pequena quantidade em dinheiro e deram um tiro na perna de Donha, que acabou morrendo vítima de uma hemorragia. Através de dados de ligações telefônicas feitas no caminho durante o sequestro, a polícia chegou até Vidal e a esposa dele, Tereza dos Santos.
O primeiro depoimento dado por Vidal foi no dia 25 de janeiro, quando ele afirmou que recebeu um telefonema do assassino (Edson Farias) no dia do crime para saber se ele queria comprar um aparelho de CD. O equipamento seria negociado com o funcionário público Azemir de Barros, irmão do prefeito de Almirante Tamandaré. ‘‘Ele não poderá manter esta versão’’, afirmou Vanessa Alice, ‘‘se manter, saberemos que está mentindo’’.
Em depoimento recente, Barros disse que nunca acertou a compra de um CD com Vidal. ‘‘Não posso adiantar ainda o que irei colocar no meu relatório, porque tudo dependerá do depoimento de Vidal’’, salientou ela. Edson Farias relatou, em seu depoimento, que foi contratado por Vidal para dar ‘‘um susto’’ em Donha. Como pagamento, ele receberia R$ 300,00 e um emprego na Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré.
O advogado Antônio Augusto Figueiredo Basto, que defende Tico, afirmou que seu cliente não está respondendo por homicídio, apenas por receptação de produto roubado. Ele disse que o depoimento de Farias foi induzido por integrantes do PPS que estariam querendo transformar o latrocínio em fato político. ‘‘Eu tenho certeza que foi um crime patrimonial e meu cliente responderá por isto’’, afirmou. Figueiredo Basto disse que o inquérito que está sendo realizado pela Delegacia de Homicídios é deficiente. ‘‘O inquérito é ruim e não me surpreenderá se o Edson estiver solto nos próximos dias’’, argumentou.

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