O delegado de Umuarama, Frederico Rech Sobrinho, indiciou seis pessoas pela fraude ocorrida durante o bingão realizado na cidade em setembro de 1995 e que terminou em quebra-quebra. O inquérito ficou pronto esta semana, depois de um ano e nove meses de investigações.
Foram indiciados o diretor da empresa Pro-A-Mark, de Curitiba, Mário Eduardo Correia da Silva; o presidente do Noroeste Atlético Clube (NAC) na época, José Carlos de Lima; e a empresária Márcia Aparecida Mori, presidente da Cooperativa de Bairros de Umuarama. A empresa e as duas entidades promoveram o bingo.
Rech também indiciou o digitador Cristiano Kucher, que passava para o computador as pedras ‘‘cantadas’’ durante o sorteio; o locutor Carlos Alberto dos Santos, que ‘‘cantava’’ as pedras; e Jonas de Jesus, o ‘‘ganhador’’ do principal prêmio, um Corsa.
O tumulto começou quando os organizadores confirmaram Jonas de Jesus, irmão da empresária Márcia Mori, como ganhador do Corsa. Os participantes insistiam que a pedra 70, existente na cartela de Jonas, não havia sido cantada. Dezenas de pessoas invadiram o campo do Estádio Lúcio Pepino, onde era realizado o bingão, puseram fogo no carro e destruíram equipamentos dos organizadores.
Segundo Rech Sobrinho, a fraude ficou evidente na forma como os organizadores conduziram o sorteio do automóvel. Quando Jonas de Jesus informou ter ‘‘batido’’, todas as pedras cantadas foram colocadas de volta no globo.
A ‘‘confirmação’’ foi feita apenas pelas anotações do computador. ‘‘No sorteio dos prêmios de menor valor isso não aconteceu’’, observou o delegado. Segundo Rech, também ficou comprovado que a pedra 70 não havia sido cantada. Porém, Cristiano digitou a pedra 70 no computador.
Segundo Rech, tanto a empresa quanto o Nac e a cooperativa de bairros estavam irregulares. Por isso, ‘‘emprestaram’’ o nome da Liga de Futebol de Guarapuava para conseguir autorização para fazer o bingo. A polícia não conseguiu apurar com quem ficou os quase R$ 120 mil arrecadados com a venda de 12 mil cartelas. Ninguém recebeu o dinheiro de volta.
A empresa Pro-A-Mark não existe mais. O inquérito já foi remetido à Justiça e, se forem denunciados, os seis indiciados vão responder a processo por estelionato.

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