O inquérito que apura as causas do acidente entre dois ônibus de estudantes, na BR-369, no dia 12 de fevereiro, deixando dois mortos e 50 feridos, deve ser prorrogado. O delegado de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), Ivan Bianchini, recebeu o laudo que avaliou as condições dos veículos, elaborado pelo Instituto de Criminalística de Londrina, e as cerca de 50 cartas precatórias, que convocam os passageiros dos ônibus a depor, foram entregues.
''Tenho até dia 14 para concluir o inquérito, mas é bem provável que as cartas não retornem dentro do prazo. Se isso acontecer, terei de pedir um prazo maior'', disse Bianchini, que aguarda a resposta das delegacias de Bandeirantes, Cambé, Cornélio Procópio, Ibiporã e Londrina.
De acordo com o laudo da perícia, o ônibus da Trevisan Transportes Turísticos, de Ibiporã, apresentava desgate nos pneus e o tacógrafo não foi encontrado. O dono da empresa, José Roberto Trevisan, acredita que o problema com os pneus não foi a causa do acidente. ''Mesmo depois do acidente, nenhum dos pneus estourou.''
O filho de Trevisan, José Gilberto, que conduzia o ônibus no dia do acidente, ainda se recupera de fraturas. ''Ele já está em casa, mas ainda não anda. Minha preocupação agora é cuidar dele'', declarou o empresário. ''Ainda não sei o que fazer quanto ao ônibus, porque foi perda total. Pode ser que não continue neste ramo.''
Já o laudo sobre o ônibus da Bárbara Tur, de Cornélio Procópio, apontou que o tacógrafo encontrado não trazia a data do acidente. A Folha tentou contatar, por vários dias, o proprietário da empresa, mas não obteve sucesso.
As vítimas do acidente estão, aos poucos, retomando suas atividades. O funcionário administrativo Alexandre Henrique de Souza, 30, irá de carro para a faculdade nos primeiros dias, mas depois voltará a usar o ônibus de estudantes. ''Com certeza o filme do acidente vai passar em minha mente, mas estou tranquilo'', garantiu. Ele rompeu um ligamento da perna que ficou presa nas ferragens e deslocou o braço esquerdo.
O estudante de tecnologia mecânica, Rômulo José Nicolau, 25, recupera-se de uma fratura no nariz e lesões nas pernas. ''Já voltei às aulas, mas ainda me sinto inseguro com o que ocorreu'', declarou Nicolau, que continua indo para a faculdade de ônibus,''porque o valor do pedágio é muito caro.''

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