James Alberti
De Curitiba
A Limiar, organização nãogovernamental que intermedia adoções de crianças brasileiras para casais norte-americanos, não cometeu nenhum crime no Paraná, afirmou ontem o delegado Harry Herbert, do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). ‘‘Se perante o fisco americano eles (Limiar) estão de bem, então não há o que investigar’’, disse. Esta deve ser a conclusão do inquérito que o delegado termina nesta semana. A entidade foi acusada de comercializar crianças brasileiras, cobrando R$ 5 mil por adoção.
Na edição de domingo, o Jornal O Estado de S. Paulo havia posto sob suspeita as denúncias. Segundo texto do jornal, uma brasileira, Soraya Lilia Trucinskas, seria responsável pelas denúncias. Soarya teria interesse em intermediar adoções da mesma forma que a Limiar, tendo inclusive oferecido serviços a casais dos Estados Unidos.
O jornal afirmou que o desembargador Osiris Fontoura, corregedor-geral da Justiça do Paraná e presidente da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), tinha conhecimento dos interesses de Soraya. Fontoura teria determinado o início de uma investigação com base em denúncias que teria recebido da brasileira por e-mail, em 22 de abril. O Estado publicou uma cópia do suposto e-mail.
Em nota oficial, Fontoura sugere que as investigações teriam sido motivadas pelas denúncias publicadas pela Folha de S. Paulo. ‘‘O corregedor (...) esclarece que após reunião da Ceja-PR, realizada no dia 10 de setembro último, especialmente convocada para analisar as denúncias apresentadas em matéria publicada no dia 05/09/99, no jornal ‘Folha de S. Paulo’, mandou instaurar processo para investigar a autuação da conveniada Limiar’’, escreveu. O desembargador não quis comentar a afirmação do jornal O Estado. Ele afirmou, no entanto, que o credenciamento da Limiar continuará suspenso até a conclusão do processo instaurado pela corregedoria.

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