A menina Carolayne Alves Rocha, de um ano e cinco meses, que morreu na madrugada de sábado após receber tratamento no Ponto Atendimento Infantil (PAI), em Londrina. foi enterrada ontem de manhã, no Cemitério Jardim da Saudade, zona norte da cidade. Os pais da criança, que foi levada para o PAI na última quinta-feira e ficou internada até sexta-feira, suspeitam de erro médico e registraram queixa na Polícia Civil.
Segundo a mãe da menina, Aline Maria Alves Lelis, 22 anos, a filha apresentava um quadro de vômito e indisposição. No PAI, a médica Maria das Graças Redmershi teria recomendado a internação e a aplicação de alguns medicamentos, entre eles, Plasil injetável. Após o atendimento, Carolayne teria ficado bastante sonolenta, como se estivesse sedada. Mesmo depois de receber alta a criança continuou dormindo, disseram os pais à Polícia. Carolayne foi levada por eles ao Hospital da Zona Sul, na madrugada do sábado, onde chegou morta.
Conforme o diretor clínico interino do PAI, Mohamad El Kadre, o prontuário de Carolayne foi requisitado e a equipe médica que fez o atendimento foi ouvida. Ele não revelou os nomes dos profissionais, mas afirmou que o diretor titular do PAI, Jonilson Favareto, deverá, ainda hoje, solicitar um inquérito administrativo para apurar as causas da morte da paciente.
O médico pediatra Milton Macedo de Jesus, vice-presidente da Sociedade Paranaense de Pediatria, disse que não receita o medicamento Plasil aos seus pacientes. Segundo ele, o remédio, um antiemético, é indicado para cortar o vômito. Macedo disse que seu procedimento particular é detectar inicialmente as causas do vômito. Ele afirmou que só prescreve uma receita (que não inclui Plasil), se a criança correr o risco de ficar desidratada.
De acordo com o farmacêutico Valdir Pedro da Silva, o Plasil (cloridrato de metroclotramina) age no sistema nervoso central, na região do cérebro que controla o vômito. Em casos extremos os pacientes, principalmente crianças com propensão, podem ter uma reação ‘‘extra-piramidal’’, com sonolência seguida de inquietude. Ele é vendido sob a forma de comprimidos e gotas. O medicamento injetável, segundo o farmacêutico, pode acelerar a reação, que é reversível na maioria dos casos.
A Folha tentou contato com a médica Maria das Graças, mas ela não retornou à ligação.

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