Inquérito das falsas CNHs está parado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de maio de 1999
Paulo Ubiratan 
O inquérito que apura falsificações de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na 12ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Londrina está parado no 2º Distrito Policial (DP).
Segundo a delegada titular do 2º DP, Valdete Testoni, o inquérito está andando devagar por falta de funcionários, falta de tempo e, conforme o seu critério, outros casos devem ser investigados com mais urgência. Pela segunda vez foi solicitado mais prazo à Justiça para que o inquérito seja concluído.
Não temos funcionários para agilizar todos os inquéritos e nos falta tempo por causa do atendimento que fazemos aos presos do Distrito. Diariamente, eles nos absorvem 80% do nosso tempo. Diante desses problemas, estamos priorizando os inquéritos que investigam crimes contra a vida, afirmou Valdete. Segundo a delegada, tramitam pelo 2º DP 19 inquéritos de homicídios e tentativas de homicídio.
O inquérito para apurar a emissão das CNHs com prontuários falsos foi aberto em 1º de dezembro do ano passado, pelo então delegado do 2º DP, Antonio Zuba de Oliva. As investigações policiais foram iniciadas após auditorias feitas pelos inspetores do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), Vilson José Maciano, Júlio Anselmo dos Reis Lopes e Luis Gastão Pereira.
O delegado Zuba de Oliva ouviu cerca de 43 testemunhas e indiciou 25 pessoas antes de ser afastado do DP por denúncias de extorsão. Mas não identificou os culpados pela falsificação. Apenas pessoas que teriam comprado carteiras foram indiciadas.
Mesmo durante as investigações preliminares os inspetores do Detran encontraram dificuldades para descobrir os verdadeiros cabeça da quadrilha de falsificadores. Os próprios inspetores alertaram, no relatório final, que eles não conseguiram encontrar os processos para as auditorias que deveriam ser realizadas.
Ainda não foi realizado um levantamento oficial, mas a polícia calcula que foram falsificadas mais de duas mil CNHs. Elas foram vendidas por preços que variavam entre R$ 200,00 a R$ 1.200,00.
A delegada Valdete afirmou que o inquérito não vai parar. Posso garantir que o caso não vai terminar em pizza. Alguém ganhou muito dinheiro fornecendo carteiras para quem não tinha condições mínimas de dirigir e com isso colocou a vida de outros em risco.


