O comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar de Cornélio Procópio, tenente coronel Rubens Guimarães, determinou ontem a abertura de inquérito policial militar para apurar o caso envolvendo um policial militar e o mototaxista Celso Ribeiro da Silva, 21 anos. O mototaxista foi ferido com um tiro na boca, na segunda-feira passada enquanto fazia uma corrida. Ribeiro teve várias fraturas na mandíbula, perdeu seis dentes e teve a língua aberta ao meio.
Celso estava trabalhando como mototaxista há apenas duas semanas. Segundo o irmão dele, Claudemir Ribeiro da Silva, Celso foi perseguido pela polícia enquanto carregava um passageiro suspeito de assaltos a supermercados que estava sendo vigiado pela polícia.
Quando o suspeito percebeu a presença da PM, apontou a arma que carregava para as costas do mototaxista obrigando-o a continuar em fuga. A polícia os perseguiu por cerca de três quilômetros e, quando alcançou a moto, fechou o veículo obrigando Celso a parar. Celso, como relata o irmão, não chegou a cair da moto. Ele teria ouvido um zumbido e percebeu o ferimento. A polícia levou o mototaxista para a Santa Casa de Cornélio Procópio, dizendo que ele teria sofrido um acidente de trânsito.
No hospital o mototaxista recebeu os primeiros socorros e no outro dia, uma radiografia da fratura constatou uma bala alojada no pescoço. O dentista, Orlando Cardoso Júnior, que atendeu o caso, teria ficado irritado com a descoberta e a omissão da polícia, pois as consequências poderiam ter sido mais sérias. O policial teria dito após a descoberta da bala, que o tiro teria sido acidental durante a abordagem da moto. Procurado pela Folha, o dentista se negou a falar: ‘‘não é ético relatar as condições dos pacientes, por telefone ainda, é até deselegante’’.
O tenente Álvaro Talheti, nomeado para o inquérito policial militar pretende ouvir as testemunhas a partir da próxima semana. A Polícia Civil preferiu deixar as investigações para a PM por ser um crime militar e, de acordo com a Constituição Federal, apenas um inquérito bastaria.
Consultado pela Folha, o promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais de Londrina, Paulo Tavares, disse que o caso exige as duas investigações. O segundo inquérito, se não houver interesse da Polícia Civil, pode ser solicitado pelo Ministério Público a pedido da família.

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