Maringá O Inquérito Policial Militar (IPM) que apura as circunstâncias da morte do auxiliar de serviços gerais, Marco Antonio de Araújo, 30 anos, de Maringá, assassinado em novembro do ano passado durante uma abordagem policial, apontou indícios de crime. A perícia judiciária apontou que dois dos quatros tiros que mataram o auxiliar foram dados pelas costas e que a arma encontrada ao lado do corpo não tinha vestígios de disparos. Na ocasião, os policiais disseram que havia ocorrido troca de tiros e reação do auxiliar à abordagem.
Indícios de crime também foram verificados na conclusão de um outro IPM sobre a morte de Hélio Silva Gomes, assassinado com cinco tiros de calibre 40, em setembro do ano passado em Maringá. Os dois casos foram levados para a Auditoria da Justiça Militar em Curitiba e, caso os policiais envolvidos sejam denunciados por homicídio qualificado, poderão ser julgados pelo Tribunal de Júri.
Além destes dois IPMs, o 4º Batalhão da Polícia Militar de Maringá apura outros dois homicídios em que os inquéritos ainda não foram concluídos. Entre os casos está o de Mizael Trevisan, 22, de Sarandi, executado na frente de dois irmãos durante uma operação policial que fechou um ponto de venda de crack em novembro do ano passado.
O advogado Adelino Garbuggio, que acompanha o caso, lembra que no depoimento ao IPM, os dois irmãos relataram a ''crueldade'' cometida pelos policiais. ''Quando o Mizael estava rendido de costas e deitado no chão respondeu a um dos irmãos que ainda estava vivo, mas o policial chegou e atirou nas costas dele, sendo que o irmão sentiu o sangue se espalhando no chão'', lembra o advogado.
Garbuggio acompanha também o inquérito da Polícia Civil sobre o caso porque além de homicídio, os policiais militares envolvidos na operação de Sarandi são acusados de tortura e sequestro. A morte de Mizael Trevisan é acompanhada ainda por entidades ligadas aos direitos humanos e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Maringá.
Segundo o novo comandante do 4º BPM, Luiz Carlos Hunzicker, a arbitrariedade cometida por policiais militares preocupa e chama a atenção pela gravidade. De julho do ano passado até agora, o batalhão abriu 15 IPMs sendo que sete já foram concluídos. Além dos homicídios, a maior parte dos casos trata de lesão corporal durante as abordagens policiais.
Hunzikcer disse que tem como principal objetivo ''reduzir a zero'' o número de IPMs. Para isso, o comandante diz que ampliou as orientações semanais à corporação e pretende iniciar um ciclo de palestras, inclusive religiosas, para humanizar o atendimento policial.

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