Curitiba O Inquérito Policial Militar (IPM) que investigou o envolvimento de policiais militares no assassinato do adolescente Ânderson Froese de Oliveira, 17 anos, concluiu que a morte foi à queima-roupa e que há fortes indícios de homicídio doloso, fraude processual e tortura. O IPM mostrou que o soldado Nilton Hasse e o cabo Afonso Odair Konkel forjaram um confronto para justificar a morte de Ânderson, que ocorreu na madrugada do dia 2 de novembro passado.
O IPM será remetido à Auditoria Militar, que fará a análise da investigação e vai decidir se remete o caso à Justiça Comum. Para o tenente Wellenton Selmer, responsável pelo IPM, é muito provável que isso aconteça e que os PMs sejam julgados pelo Tribunal do Júri. Enquanto isso, Hasse e Konkel permanecem presos no Batalhão de Guarda da Polícia Militar (PM), onde estão desde 7 de novembro.
Segundo Selmer, os policiais ainda afirmam que atiraram em Ânderson porque ele estaria armado e teria reagido à abordagem policial. Hasse, que atuava há 12 anos na PM, e Konkel, que estava há cinco, eram homens de confiança da corporação e trabalhavam para a P-2, o serviço reservado da PM. Por isso, eles estavam à paisana no dia do crime. Eles procuravam dois suspeitos de assalto a um restaurante no Bairro Parolin, em Curitiba. Ânderson estava com vários amigos na região e iam pichar um muro de uma empresa. Ânderson e um dos amigos foram confundidos com os suspeitos.
Um exame de luva de pelica mostrou que Ânderson não fez nenhum disparo de arma. O laudo da necrópsia do adolescente revelou a presença de uma auréola de pólvora no crânio. ''Isso mostra que o revólver estava encostado na nuca de Ânderson'', relatou Selmer. No dia do crime, os soldados apresentaram uma arma que teria sido apreendida com os adolescentes e disseram que a viatura em que estavam havia sido baleada. O IPM mostrou que esses fatos foram forjados e por isso os policiais devem responder por fraude processual. Eles também são acusados de torturar e ameaçar de morte o amigo de Ânderson caso ele não assumisse que estava armado.
A reportagem tentou falar com o advogado dos acusados, Peter Amaro de Souza, mas não obteve retorno. A PM abriu um Conselho de Disciplina que vai avaliar, no prazo máximo de 50 dias, se os policiais serão expulsos da corporação. Na semana passada, o advogado da família de Ânderson, Osmann de Oliveira, fez uma solicitação ao Tribunal de Justiça (TJ) para que decidisse sobre o conflito de atribuições. Ele disse que mesmo com a conclusão do IPM vai manter o pedido.

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