O promotor de Justiça da comarca de Uraí, José Roberto Manchini, determinou à 11ª Subdivisão Policial de Cornélio Procópio que instaure inquérito para apurar denúncias de violência contra menor cometida por policiais em Jataizinho (25 km a leste de Londrina). A denúncia foi feita pelos pais do estudante O.F.S., 14 anos, que no dia 6 foi detido pelo agente de segurança - que exerce a função de delegado - Artur Pereira Toledo, e pelo investigador Wilson de Oliveira.
Segundo O.F.S., na tarde do dia 6, ao sair para ir a casa de uma tia caminhou atrás de dois garotos. ‘‘A polícia parou os dois. Como eu não tinha nada a ver eles seguiram caminhando. Então o delegado me apontou o revólver e fez eu voltar. O Wilson apontou a arma para mim até que o delegado algemasse os outros. Por sorte, meu avô chegou e me puxou pelo pescoço e evitou que eu fosse preso’’, contou.
O menor disse que mesmo sendo conhecido dos policiais e ter dito que não tinha nada a ver com os outros rapazes, foi forçado, sob ameaça de arma, a ficar no local. Vizinhos presenciaram a cena. Com a intervenção do avô, O.F.S. foi liberado para ir para casa. ‘‘Aí eles vieram me pedir desculpas. Mas nada justifica a violência que eles cometeram’’, ressaltou.
A família procurou o Conselho Tutelar de Jataizinho, que encaminhou e acompanhou o depoimento no Fórum de Uraí. ‘‘Tomamos a declaração do menor, dos pais e de um vizinho que presenciou tudo. O comportamento do delegado não foi correto. Por este motivo, encaminhei o pedido de abertura de inquérito. Se ficar comprovada a culpa, os policiais responderão a processo criminal’’, explicou o promotor José Manchini.
Wilson Oliveira e Artur Toledo negaram o uso de violência. Toledo reconhece que houve uma abordagem policial a dois rapazes com passagens pela polícia e que, coincidentemente, o menor estava próximo a eles. ‘‘Quando pedimos para o garoto voltar, não o reconhecemos de imediato. No entanto, ninguém usou de violência contra ele. Ao ser identificado, liberamos e pedimos desculpas à família’’, contou o agente de segurança. Ele não negou, no entanto, que estivessem com a arma à mostra.
Toledo disse que a denúncia à promotoria foi gerada por uma pessoa que responde a inquéritos na delegacia e tentou se vingar dele. Sem citar nome, garantiu que esta pessoa não presenciou a abordagem, mas informou à imprensa e deu entrevistas nas rádios.

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