O sonho de melhorar de vida trabalhando no exterior leva, todo ano, milhares de brasileiros a buscarem os serviços de agências de viagens que oferecem oportunidades de emprego e salários em dólar. Mas, muitas vezes, o sonho de ganhar dinheiro no exterior acaba se transformando em pesadelo. Foi o que aconteceu a pelo menos oito londrinenses. Seus familiares procuraram, ontem, o delegado do 1 Distrito Policial de Londrina, Marcos Belinati, para registrar queixa contra três agências da cidade, num inquérito que apura a prática de estelionato e aliciamento para fins de emigração.
De acordo com Belinati, o interessado buscava essas agências e pagava uma quantia média de US$ 1,5 mil (cerca de R$4,5 mil) que, segundo as agências, cobririam os gastos com passagens e um trabalho no país escolhido. Os vistos, entretanto, eram de turistas com validade de 30 dias. Chegando no destino, uma outra pessoa tomava parte da quantia paga que cobriria a hospedagem e os ''custos'' com referido emprego. ''No final, a pessoa acaba sem o dinheiro e sem o emprego. Essas agências apenas vendem passagens aéreas com preços acima dos praticados pelo mercado'', destacou o delegado. Os destinos mais procurados são Inglaterra, Portugal e França.
Foi o que aconteceu, por exemplo, a um segurança de Londrina que, em 18 de fevereiro, viajou pensando em trabalhar em Londres. Sua esposa, que pediu para não ser identificada, disse que o marido pagou R$ 400,00 de entrada e deu mais 12 cheques de R$ 480,00 para trabalhar na capital inglesa. Na Inglaterra, pagando cerca de EU$ 500,00 (cerca de R$1,6 mil)a um contato da agência, ele conseguiria um passaporte português falso para permanecer no país.
Entretanto, para poder entrar no país, antes iria aterrissar em Paris, pernoitar na Irlanda e depois cruzar a fronteira para a Inglaterra. Só que ele não conseguiu entrar na Irlanda e foi mandado de volta para a França, onde ficou por 10 dias até seguir clandestinamente para Portugal. Hoje está trabalhando em um sítio, onde ganha o suficiente apenas para não passar fome. ''Meu marido gastou o acerto da firma, emprestou dinheiro de um amigo e eu ainda tive que vender nosso carro para cobrir as despesas de casa'', disse. Ela afirmou que a empresa que vendeu o pacote ''garantiu'' que o marido conseguiria um emprego em Londres com salário entre R$ 3 mil e R$ 5 mil mensais.
A gerente comercial de uma das empresas não quis comentar o assunto, pois advogados estariam cuidando do caso. Ela disse apenas que a empresa era uma agência de viagens que vendia passagens

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