Inquérito apura morte de peixes em rio
Edna Mendes
De Cornélio Procópio
Centenas de peixes, principalmente carpa, cará e dourado, apareceram boiando no Rio Laranjinhas, em Ibaiti (94 quilômetros ao sul de Jacarezinho) anteontem. Alguns exemplares pesavam mais de 10 quilos, afirmam moradores de Ibaiti. O caso foi denunciado ao Ministério Público e ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A Polícia Civil também abriu inquérito para investigar a causa da morte dos peixes.
O sistema de lançamento da água utilizada na lavagem da cana da Destilaria de Álcool Ibaiti Ltda (Dail), que desemboca no rio, pode ser o responsável pela morte dos peixes, segundo o IAP. Entretanto, a baixa vazão do rio por causa da estiagem na região está agravando o problema. O rio está cerca de dois metros abaixo do normal.
Ontem, técnicos do IAP estiveram no local e, hoje, amostras da água do rio serão enviadas para análise em Londrina. De acordo com o chefe regional do IAP, Luiz Tarcíso Mossato Pinto, a água da lavagem da cana não está sendo lançada diretamente no rio. Antes ela passa por uma estação de tratamento.
Só poderemos nos certificar que o sistema é responsável pelas mortes dos peixes com o resultado da análise da água. O lançamento da água da lavagem é permitido mas obedece aos padrões exigidos, caso contrário, o rio fica sem oxigênio e os peixes morrem, explicou.
Ele disse ainda que, se for comprovado que água da lavagem é a responsável pela morte dos peixes, a usina será orientada a mudar o sistema de lançamento e também multada. Mossato Pinto garantiu que não encontrou vinhoto (excedente da fabricação de álcool) no rio.
O caso foi denunciado pelo vereador Gilmar Cândido (PFL) que esteve no rio anteontem e fotografou os peixes mortos. Ele também encontrou no rio um filhote de jacaré e um tatu mortos. Tenho certeza que todas essas mortes aconteceram por causa do vinhoto lançado no rio. Eu constatei vinhoto em vários pontos. O mau cheiro no rio é insuportável, afirmou. Informado pela Folha que o IAP garantiu não ter encontrado vinhoto na água, o vereador disse que o IAP tem se mostrado omisso em vários crimes ambientais na região e que desafia o órgão a provar que não há vinhoto no rio.
Um dos diretores da destilaria, que pediu para não ser identificado, disse que o sistema de lançamento da água da lavagem da cana nunca acarretou danos ao rio. Estamos sensibilizados com o problema, mas o que está agravando a situação é a seca. A empresa está aberta a sugestões do IAP e da Promotoria para resolver o problema, afirmou.
O diretor também disse que qualquer mudança no sistema de lavagem da cana feita pela destilaria demandaria muito tempo. Se tivermos que parar de lançar a água no rio temos que fechar a destilaria e muitas pessoas vão ficar sem trabalho, afirmou. Ele não quis informar o número de funcionários da destilaria.
O delegado de Ibaiti, Ítalo César Sêga, também recolheu alguns peixes que serão enviados ao Instituto de Criminalística de Curitiba para análise. Por enquanto, não indiciamos ninguém nesse inquérito, mas os primeiros a ser ouvidos serão o IAP e a destilaria, adiantou.
A promotora Maria Cecília Rosa Pereira não atendeu as ligações telefônicas feitas pela reportagem porque estava em audiência, segundo sua secretária.





