Inquérito apura culpado por acidente
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sexta-feira, 26 de setembro de 1997
Luka Morais e Benê Bianchi 
Londrina
Mário CésarVersãoPedro da Silva, motorista da Francovig, internado no Evangélico: O caminhão veio comendo faixaO delegado de Trânsito de Londrina, Valter Martins Lemos, instaurou ontem inquérito que vai apurar se houve responsabilidade dos motoristas envolvidos no acidente ocorrido anteontem à tarde na rodovia Celso Garcia Cid (PR-445).
Três pessoas morreram (Maria Bonim, Serafim Figueira Baião e José Braz dos Santos) e 17 ficaram feridas durante colisão entre o ônibus da Francovig e um caminhão. O acidente aconteceu por volta das 15h30, próximo à estação da Eletrosul, na saída para Tamarana.
O delegado Valter Lemos aguarda laudo da Polícia Rodoviária sobre o acidente. Ele disse que recebeu apenas o comunicado do IML sobre a entrada de corpos. O laudo da Polícia Rodoviária demora de 8 a 10 dias para ser concluído.
Após a elaboração do boletim de ocorrência, as informações colhidas no local do acidente são submetidas a uma comissão de avaliação, formada por um membro da Polícia Rodoviária e dois do DER. A comissão define quem são os infratores do acidente e encaminha o laudo para ser anexado ao inquérito policial.
O ônibus placas ADP-1598, que fazia a linha Londrina-Tamarana (65 km ao sul), derrapou numa curva e colidiu frontalmente com o caminhão Volkswagen placas ADK-1706, também de Londrina. Chovia bastante no momento do acidente. O motorista do ônibus, Pedro José da Silva, 45 anos, que está internado no Hospital Evangélico, disse ontem, em entrevista à Folha, que trafegava a uma média de 60 km/h. Quando fui fazer a curva, vi que o caminhão vinha comendo a faixa. Não sei se tentei freiar, e o ônibus derrapou. Tentei voltar para a pista mas não teve jeito.
Conforme relato de Silva, que trabalha há 12 anos como motorista na empresa Francovig, o caminhão que vinha no sentido contrário estava sobre a faixa que divide a pista. No local do acidente, anteontem, testemunhas disseram que o motorista do ônibus havia perdido o controle do veículo numa curva.
O motorista sofreu politraumatismo e permaneceu em observação na CTI do HE. Silva teve fraturas no fêmur, tíbia, bacia e costelas. Além de traumas torácico e abdominal sem lesão. O quadro dele era estável pela manhã, com previsão de deixar a CTI no período da tarde.
Além do motorista, permanecem internados no Hospital Evangélico, o motorista do caminhão, Iraci da Silva, 40 anos, de Londrina, que sofreu trauma ocular e Davi Margarida Vilella, 58, de Tamarana, que teve fratura buco-maxilar.
Outros 12 feridos foram atendidos pela Santa Casa, a maioria teve queimaduras provocadas pelo cal que caiu do caminhão. A menina Claudinéia Marcolino, de cinco anos, sofreu queimadura no olho. Ela e os seus pais, todos moradores na reserva indígena do Apucaraninha, foram atendidos na Santa Casa e liberados. Deverão ser submetidos a tratamento ambulatorial.
Continuam internados na Santa Casa duas vítimas do acidente: Maria de Oliveira Baião, 59 anos, com fratura na bacia e traumatismo craniano, e Pedro Martins de Oliveira, 54, com traumatismo raque-medular.
O jovem Anderson Leandro Gonçalves, 19 anos, que sofreu fraturas nas duas pernas, permanece na UTI do Hospital Universitário. Ele foi submetido a cirurgia e seu estado é regular.
Os corpos de duas das três vítimas fatais foram liberados durante a madrugada e sepultados ontem à tarde. Eles morreram prensados pela ferragem da lateral esquerda do ônibus, atingida pelo caminhão. Segundo informações de médicos do Siate e de policiais rodoviários que fizeram o atendimento, os mortos sofreram traumatismo craniano e vários ferimentos graves.
Serafim Figueira Baião, 63 anos, foi enterrado no cemitério distrital de Lerroville e Maria Aparecida Mainardes Boni, 66 anos, no cemitério municipal de Tamarana. O corpo de José Brás dos Santos, 28 anos, permaneceu na Acesf pela manhã, aguardando o reconhecimento de familiares. Havia informações de que ele trabalhava como bóia-fria em uma fazenda perto de Tamarana.


