A exemplo de milhares de trabalhadores em Londrina, o dia da zeladora Vera Lúcia da Silva, 34 anos, começa cedo. Para chegar ao trabalho na Região Central da cidade, ela tem de tomar o ônibus no Jardim Ideal (Zona Leste) antes das 5h30. A obrigação de levantar muito cedo poupa uma complicação no dia-a-dia da trabalhadora: enfrentar os ônibus lotados do horário de pico. Entre 6h30 e 8h30, a durante a rotina de ida e volta ao trabalho. ''Pelo menos no meu horário, o transporte é bom. Não é lotado'', revela Vera Lúcia.
A superlotação no horário de rush é um velho problema, verificado em qualquer sistema de transporte coletivo. Para as autoridades que operam o setor em Londrina, a questão não tem solução. Nem mesmo o sistema de bilhetagem eletrônica, anunciado como grande novidade tecnológica do setor oriunda do processo de licitação do transporte coletivo, é apontado como solução definitiva.
''No horário de 'rush', todos os 350 ônibus da frota estão na rua. Não caberiam mais ônibus na cidade'', constata o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella. Para ele, no entanto, a integração temporal possibilitada pela bilhetagem eletrônica poderia reduzir o problema. ''O passageiro pode diluir as viagens em várias linhas no meio do caminho. Não é preciso ir ao Terminal Central'', destaca.
Para o gerente da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), maior empresa do setor na cidade, Gildalmo Mendonça, ''hora de rush é hora de rush. Isto acontece no mundo inteiro''. Enquanto as autoridades fazem constatações sobre o problema, quem o sente na pele sofre com o desconforto, principalmente após o cansaço de um dia inteiro de trabalho. ''Todo dia é lotado'', resume o operador de prensa Paulo César Remonti, 40, morador do Conjunto Cafezal 1 (Zona Sul). ''Pelo valor que a gente paga, a gente merecia mais respeito e mais conforto'', acrescenta o passageiro.
Como exemplo de interligação fora dos terminais, Sella cita a situação de estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que moram nas proximidades do Parque de Exposições Ney Braga, na Zona Oeste. Para ir estudar, os usuários de ônibus não precisariam ir até o Terminal Central, já que a interligação pode ser feita na Avenida Arthur Thomas.
Apesar de proporcionar ''vantagens'' como a integração temporal, o Cartão Transporte (CT) ainda gera dúvidas e dificuldades de uso entre os passageiros. A própria zeladora Vera Lúcia precisou do auxílio do cobrador para usar o CT pela primeira vez. ''O passe de papel é bem melhor. Pelo menos você está vendo o que é cobrado'', destaca. Sella diz achar normal a resistência ao novo sistema de cobrança da tarifa. ''Temos que convencer as pessoas que o Cartão Transporte é o modo mais eficaz para fazer a integração'', salienta. A substituição completa dos passes de papel pelo CT, no entanto, ainda não tem data definida.

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