Inmetro terá que devolver taxa de aferição a postos
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quarta-feira, 20 de novembro de 1996
Ivan Santos 
Dez postos de combustíveis de Curitiba conseguiram, no mês passado, a primeira vitória numa batalha judicial que já motivou mais de 250 ações no Paraná contra a cobrança de taxas de fiscalização do Inmetro. O juiz Erivaldo Ribeiro dos Santos, da 8ª Vara Federal, acatou denúncia dos postos considerando inconstitucional a cobrança de R$ 3 mil pela aferição das bombas de combustível dos dez postos envolvidos na ação, e determinando a devolução do dinheiro depositado em juízo. Mais de R$ 200 mil foram depositados em juízo pelos postos do Estado por conta desses processos.
Os postos acusam o Inmetro, órgão federal ligado ao Ministério da Indústria e Comércio e responsável pela fiscalização de instrumentos de medição, de cobrar R$ 47,50 pela aferição de cada bomba de combustível. Num posto com doze bombas, diz o Sindicombustíveis do Paraná, cada visita de fiscalização renderia ao instituto um total de R$ 570,00 em taxas. Para um posto ganhar isso, precisa vender cinco mil litros de combustível, compara o presidente do sindicato, Roberto Fregonese.
Os donos dos postos também acusam o Inmetro de aumentar o número de visitas, ao invés de fazer apenas uma vistoria anual exigida pela lei. O Inmetro está extorquindo os postos, transformando as vistorias numa fonte de renda, acusa Fregonese, que afirma não ser contra a fiscalização.
O que não pode é o Inmetro recorrer aos postos toda vez que estiver precisando de dinheiro, critica o sindicalista. Cerca de sete mil dos 25 mil postos do País já recorreram à Justiça. As ações têm como base sentença do Supremo Tribunal Federal favorável à Vale do Rio Doce e contra a cobrança, pelo Inmetro, de taxa semelhante para a fiscalização nas balanças da mineradora.
O Inmetro diz que vai recorrer da decisão da 8ª Vara Federal do Paraná e alega que não recebe subvenção do governo federal para fazer a fiscalização dos postos. Essas taxas são a única forma de financiar esse trabalho, afirma o chefe da Diretoria de Metrologia Legal do órgão no Rio de Janeiro, Roberto Guimarães. Segundo ele, o valor da taxa é determinado pelos custos do instituto com funcionários, transporte e equipamento de precisão. Guimarães nega que o Inmetro tenha aumentado o número de visitas. A verificação periódica é feita uma vez por ano, e se não for verificadas irregularidades, a taxa é cobrada apenas uma vez, mesmo que sejam feitas várias vistorias, afirma.


