Uma injeção para tratar de varicose, com aplicação de glicose e um medicamento conhecido como Ethamolin, ou etanolamina, causou a morte da comerciante Maria Helena de Souza, 59 anos, no início da noite de domingo. A vítima estava na casa da auxiliar de enfermagem Vera Lúcia Souza Januário, 43 anos, que aplicou a injeção e provocou choque anafilático na comerciante. O fato aconteceu na Rua Tupiniquis, na Vila Casoni (área central de Londrina).
Os registros do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina dão como causa da morte parada cardiorespiratória. Segundo o delegado Algacir Ramos, responsável pelo caso, a auxiliar de enfermagem foi autuada em flagrante por homicídio culposo e liberada sob pagamento de fiança. O delegado diz que Vera Lúcia era procurada por vizinhas para realizar o tratamento de pequenas varizes. O procedimento acontecia em sua própria residência.
Maria Helena recebeu a injeção às 18h30 do domingo. Ontem, inúmeras coroas de flores foram deixadas na residência da comerciante, na Rua Jupira, 156, no Jardim Castelo (zona leste de Londrina). O velório ocorreu no local. A família não quis falar com a imprensa e comunicou apenas que vai esperar receber o resultado do laudo antes de emitir qualquer comentário.
No início da tarde, a reportagem da Folha foi até a casa da auxiliar de enfermagem, que estava vazia e trancada por cadeados. De acordo com Olinda Nakayama, fiscal do Conselho Regional de Enfermagem (Coren), a prática da aplicação da solução de glicose e Ethamolin fora de ambulatório e sem acompanhamento médico é irregular e proibida pelo código de ética de enfermagem: ''É uma infração muito séria, que deverá ser investigada e pode resultar em um processo ético interno''. Segundo a fiscal, o conselho ainda não havia recebido a denúncia até o meio-dia de ontem. ''Vamos averiguar se Vera Lúcia era autorizada a exercer a profissão junto ao conselho. Se fez apenas o curso de enfermagem, mas não estava habilitada, incorreu em mais uma irregularidade'', frisou a fiscal.
José Antônio Morselli Diniz, médico coordenador de angiologia e cirurgia vascular junto à Associação Médica de Londrina, diz que o tratamento de varicose precisa ser feito em local autorizado pela Vigilância Sanitária para procedimentos médicos, e também ser realizado pelo profissional da medicina. ''O tratamento é considerado um ato médico, e portanto deve ser ministrado por um médico, não pelo auxiliar de enfermagem ou enfermeiro'', afirmou.

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