Cerca de 5,3 mil crianças dos centros de educação infantil (CEIs) filantrópicos de Londrina iniciaram o ano letivo ontem. Como têm um corpo de funcionários próprio, não foi necessário adiar o início da atividade letiva para o próximo dia 18, como nos centros municipais (Cmeis). O adiamento foi necessário para que fossem concluídos os processos licitatórios para contratação de mão de obra para merenda e transporte escolar da zona rural, cujos resultados devem ser divulgados nos dias 7 e 13 deste mês, respectivamente.
No Conjunto Guilherme Pires (zona leste), o CEI Espaço Criança atende 96 crianças em tempo integral. A coordenadora Ulany Gomes Santos explica que neste ano letivo as dificuldades continuam as mesmas. "A nossa reivindicação é de que haja aumento no repasse do município, que hoje é de R$ 133 por criança, o que não é suficiente nem para pagar os funcionários, por isso acabamos tendo problemas para pagar os encargos todos os meses", explica.
De acordo com Ulany, o valor ideal seria de R$ 300 por criança por mês, para que a instituição conseguisse fazer a manutenção do prédio. "Precisamos sempre fazer promoções para conseguir comprar material didático e de higiene e limpeza. Agora precisamos comprar brinquedos para as crianças e também não temos verba", reclamou.
Outra reivindicação é a capacitação dos professores, principalmente em informática, o que possibilitaria aulas mais atrativas, segundo a coordenadora. "Seria muito bom se nossas crianças tivessem acesso a essas máquinas", afirma Ulany.
Na zona Sul, no Conjunto Tito Carneiro Leal, as atividades no CEI Anita Correia também foram retomadas ontem. "Atendemos 72 crianças, de 2 a 5 anos, em tempo integral", conta Francisca Angelita Santos Camargo, presidente da mantenedora do CEI, a Associação de Capacitação da Mulher, um grupo da própria comunidade.
"Em troca de um prédio para sede da associação aceitamos gerenciar o CEI. Os pais contribuem com R$ 50 mensais e aqueles que têm mais de uma criança recebem um desconto. Mas também precisamos fazer promoções e com isso pelo menos nossos salários e encargos estão em dia, mas falta dinheiro para a manutenção do prédio. O aumento do valor do repasse é muito esperado", ressalta Francisca.
Um das necessidades é o conserto ou troca dos ventiladores das salas, já que o forte calor no verão incomoda os pequenos. "Fizemos vários orçamentos e não será possível fazer o conserto agora. Gostaríamos que a prefeitura enviasse pelo menos um eletricista, o material do conserto tentaríamos conseguir", explica Angelita. De acordo com ela, alguns membros da comunidade ajudam em pequenos trabalhos voluntários, mas nem sempre isso é possível.
A auxiliar administrativa Carina Carvalho Nunes é moradora do bairro e mãe de Samuel, de 3,5 anos, que frequenta o CEI desde o ano passado. "Minha filha mais velha também frequentou a creche até este ano, quando foi para o ensino fundamental. Sem isso seria muito difícil eu trabalhar, porque teria que pagar alguém para ficar com eles. Mesmo contribuindo mensalmente com o CEI, o valor é muito menor. Além disso as crianças são muito bem tratadas", afirma.

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