Início da Quaresma hoje marca período de abstinência
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quarta-feira, 09 de fevereiro de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Até 1965, quando do Concílio II do Vaticano, o final da festa de Carnaval marcava o início de período em que a abstinência de carne e uma única refeição no dia eram práticas adotadas por quem se dizia em jejum ou penitência. A mudança dos tempos gerou transformações também na concepção da Quarta-feira de Cinzas, seja na tradição católica ou mesmo na lembrança de quem diz ser adepto da religião mas se esquece de alguns ritos que a caracterizam. Nem é preciso se ater a qualquer pronunciamento do Papa João Paulo II: a constatação vem de uma simples conversa com londrinenses no Centro (ver enquete).
Pároco da Catedral Metropolitana de Londrina, o monsenhor Bernard Carmel Gafá explicou que o dia de hoje marca o início da Quaresma, período que os católicos celebram os últimos 40 dias de vida de Jesus Cristo. Assim, começa o que o sacerdote chama de época de ''conversão'', de ''penitência'', enfim, de negação a valores como a vaidade humana, a maldade e a infidelidade. É aqui, segundo o monsenhor, que entra a simbologia das cinzas espalhadas em formato de cruz no rosto dos fiéis, nas missas celebradas hoje.
''As cinzas representam o nada que são as vaidades, as nossas fragilidades, e nos fazem acordar para a verdadeira realidade, em atitude de conversão. É a nossa chance de reconhecer isso'', diz. Ainda conforme o pároco, a prática de jejum como parte da penitência é parte desse processo na Quaresma: sai de lado o que hoje parece ser o radicalismo do jejum quase absoluto, para entrar em cena a abstenção de guloseimas ou atitudes que, por gerarem prazer, a falta simboliza uma espécie de sacrifício'', comenta. Mesmo assim, ele salienta que o jejum de carne hoje e na sexta-feira Santa (dois dias antes do domingo de Páscoa, final da Quaresma) ainda são aconselhados pela Igreja.
Apesar de a data dizer respeito em especial aos cristãos, monsenhor Bernard frisa que o chamado para ''a reflexão e a negação de paixões como a luxúria e a raiva'' vale para os crentes de todas as religiões. Quando o assunto são os católicos que sequer sabem o que há por trás da data, ele comenta com desalento: ''Muitas vezes só se busca a Igreja em necessidades imediatas, o mundo é sempre o mesmo. Mas a verdadeira religião é viver a paz'', afirma, fazendo alusão à Campanha da Fraternidade, lançada hoje nas mais de 40 paróquias da cidade. O lançamento oficial será sexta-feira, às 19 horas, no Colégio Estadual Vicente Rijo (Centro). Dessa vez, o tema é ''Solidariedade e Paz''. ''A Bíblia fala em shalom (paz, em hebraico) 240 vezes. Isso não é em vão'', concluiu o monsenhor.


