Iniciativa civil garante ampliação de albergue
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domingo, 28 de novembro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Acostumada a ajudar instituições de caridade com doações em dinheiro ou de produtos, a arquiteta Andria Tagliari, 26 anos, decidiu ir além: ela está doando o próprio esforço físico para as obras de ampliação do Albergue Noturno, na Vila Nova (Área Central). ''Já fiz várias ações voluntárias, já acompanhei obras devido à minha profissão, mas é a primeira vez que ponho a mão na massa. Toda motivação desse trabalho é poder ver concluído o que estamos fazendo de coração'', justifica.
Andria faz parte do projeto ''Amigos do Albergue'', que conta com 12 profissionais da Construtora Plaenge, de Londrina. Junto com ela, outros membros do grupo - todos engenheiros - trabalharam como pedreiros, ontem pela manhã, preparando massa de cimento, assentando tijolos e carregando materiais pesados de obras, só para citar algumas atividades. Para a maioria dos funcionários envolvidos no mutirão, esse tipo de trabalho é inédito. ''Nunca havia mexido diretamente com isso. É cansativo, mas por doação, vale a pena'', diz Paula Jordão, 28 anos.
Segundo o engenheiro Rogério Cardoso, 46 anos, as obras de ampliação do albergue começaram no final de setembro e devem durar um ano. Serão construídos um salão de festas, três lojas, uma oficina de marcenaria, novos sanitários e dependências de serviço. O custo total da obra deve variar entre R$150 mil e R$200 mil. Cardoso afirma que a expectativa da construtora é conseguir cobrir pelo menos 80% desse valor com doações de outras empresas. ''Já temos cerca de cinco colaboradores doando materiais (tijolos, blocos cerâmicos, areia, brita, tubulação hidráulica) e esperamos também a participação de empresas de serviço'', explica.
Cardoso acredita que é importante mostrar o projeto à sociedade para incentivar novas iniciativas semelhantes. ''Somos muito egoístas, esperamos sempre que o outro faça alguma coisa por quem precisa. Um trabalho como esse não é um grande sacrifício, é um pouquinho do esforço do ser humano. Além de ajudar, você se motiva, alivia o stress, sente-se útil''.
O Albergue Noturno atende uma média de 60 a 65 adultos carentes, entre moradores de rua e itinerantes. Segundo a presidente da instituição, Maria Júlia Dutra de Barros, a ampliação do espaço era uma idéia que já existia há oito anos, mas que não havia sido concretizada por falta de recursos. ''Fizemos pedidos ao governo mas não conseguimos resposta. Agora, com esse trabalho voluntário, finalmente a obra está avançando. A iniciativa civil é uma coisa que anda'', conclui.


