Iniciação sexual está sendo aos 13 anos
Pesquisa entre adolescentes curitibanos descobriu que eles estão iniciando a vida sexual entre os 13 e 14 anos
Albari RosaALERTAA diminuição da idade da iniciação sexual deixa os adolescentes mais vulneráveis ao contágio de doenças sexualmente transmissíveis
Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Os adolescentes curitibanos estão começando sua vida sexual precocemente, aos 13 anos e meio de idade. Esta é uma das primeiras revelações da inédita pesquisa sobre a sexualidade de jovens entre 12 e 17 anos, realizada em Curitiba, pelo departamento de Psicologia da Universidade Tuiuti, em conjunto com a Universidade de Liege, da Bélgica e a secretaria municipal de saúde. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada em outubro, a iniciação sexual dos brasileiros acontece aos 15 anos.
Isto é preocupante porque os adolescentes estão se tornando mais vulneráveis ao contágio de doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS, alerta a coordenadora da pesquisa, psicóloga Solange Machado. A falta de diálogo sobre sexo entre pais e filhos, a influência do grupo de amigos e o envolvimento afetivo descompromissados e com menor controle da impulsão sexual são outros fatores apontados pela psicóloga, que influenciam diretamente na precoce iniciação sexual dos curitibanos.
Ficamos surpresos com o razoável nível de informação que os jovens têm sobre a sexualidade. Mas eles ainda não sabem como utilizá-las, revelou. Na opinião de Solange, as propagandas instituicionais sobre sexo ou de prevenção à AIDS, deveriam mostrar mais exemplos positivos do que fatos relacionados com a morte, por exemplo. Os adolescentes tendem a imitar modelos de seus ídolos e ignorar coisas que eles têm conhecimento, analisou.
Metodologia O trabalho foi realizado entre julho do ano passado e está na fase final de coleta e análise de dados. A linha de abordagem da pesquisa, explicou Solange, é a da psicologia cognitiva-comportamental; que avalia e age sobre os comportamentos do cotidiano. Mais de 800 estudantes de escolas públicas e privadas e de diferentes classes sociais, participaram da pesquisa, autorizados pelos pais.
Eles foram divididos em dois grupos, de controle e experimental. Na primeira fase do programa, todos passaram por testes psicológicos. Os jovens selecionados para o grupo experimental, foram separados pelo sexo, para debates durante cinco semanas, sob a orientação de 15 psicólogos.
Entre os adolescentes deste grupo, informou a psicóloga, cresceu o número de meninos e meninas que passaram a usar com mais habilidade preservativos em suas relações. Eles também ficaram mais conscientes de que a camisinha é importante para evitar o contágio de doenças sexualmente transmissíveis. Solange Machado destacou que, no Brasil, esta é primeira pesquisa sobre sexualidade entre jovens que é realizada com tanto rigor científico.





