Ingestão de remédios é a maior causa de intoxicação em crianças
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sábado, 10 de novembro de 2001
Andréa Lombardo<br>De Curitiba 
Trezentas e noventa crianças de 0 a 14 anos atendidas nas unidades de saúde da Prefeitura de Curitiba, no ano passado, foram vítimas de intoxicação. A ingestão de medicamentos foi a principal causa dos envenamentos, que responderam por 44,8% dos casos. Os produtos de limpeza e outros químicos vêm em segundo lugar, respondendo por 32,5% das intoxicações. Não existem dados oficiais do número de vítimas no Paraná, uma vez que a notificação dos casos até este ano não era obrigatória.
A Organização Não-Governamental (ONG) Criança Segura, que trabalha no combate aos acidentes ou lesões não intencionais, principal causa de mortes entre crianças de 1 a 14 anos, acredita que o número de intoxicações possa ser bem maior. Com a aprovação do Código Sanitário do Estado, a partir de 2002, a notificação será obrigatória.
A coordenadora administrativa da Ong Criança Segura, Alessandra Françóia, disse que, em parceria com outros órgãos, a entidade planeja iniciar no ano que vem um trabalho de conscientização junto às escolas de Curitiba sobre os cuidados no armazenamento de remédios e produtos químicos. Mas as formas de prevenção já vêm sendo debatidas entre a comissão. A principal conclusão do grupo foi que a conscientização deve se estender também aos fabricantes e a quem comercializa os produtos.
Para Maria Aparecida Paecari Silva, do Departamento de Qualidade de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, a resolução baixada em setembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode representar um grande avanço na redução das intoxicações entre crianças. A resolução determina que produtos potencialmente tóxicos deverão possuir embalagens rígidas e com tampa de dupla segurança ''à prova de abertura por crianças''. Para os remédios, no entanto, ainda não há normatização.
O cirurgião pediátrico Marcelo Ribas Alves explicou que a ingestão de produtos, especialmente à base de soda cáustica, pode causar lesões e sequelas irreversíveis nas cordas vocais, no esôfago e até nos pulmões. No entanto, para ele, a intoxicação por medicamentos é a que mais preocupa. O médico citou como exemplo os descongestionantes nasais, que podem provocar paradas cardíacas.


