A Procuradoria Geral da República, em Curitiba, deu prazo de 15 dias para a superintendência da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) no Paraná responder por que o aeroporto Afonso Pena não tem equipamentos para tornar as operações de pouso e decolagens mais seguras.
Na quinta-feira, os procuradores Dilton França e Elton Venturi instauraram um inquérito civil público para apurar as causas dos constantes fechamentos do Afonso Pena. A atitude dos procuradores foi motivada a partir de uma informação publicada na revista Veja de que o aeroporto recebeu R$ 150 milhões para reformas. Os recursos teriam privilegiado a estética do terminal ao invés da segurança.
Os procuradores querem saber da Infraero o total de investimentos aplicados nos reparos, se existe um estudo de viabilidade técnica e financeira sobre o equipamento - o ILS-3 -, que poderá permitir aterrissagens mais seguras, e a necessidade ou não de abrir uma terceira pista.
O inquérito civil público não tem prazo de conclusão e é uma prerrogativa do Ministério Público para coletar informações sobre prejuízos ou ameaça de danos ao patrimônio público. O superintendente da Infraero no Paraná, João Roberto de Paula, disse ontem que não tinha recebido informação oficial sobre o inquérito.
O representante da Infraero observou que a instalação de equipamentos como o ILS-3 ainda vai depender de estudo de viabilidade técnica e financeira que a Infraero vai realizar. Isto não tem prazo para ocorrer, segundo João de Paula. Ele justificou que a aquisição do equipamento não estava prevista no exercício orçamentário deste ano. Ele não concorda que as operações no Afonso Pena sejam inseguras.
Numa correspondência enviada à Associação Comercial do Paraná (ACP), João de Paula pede que os empresários estabeleçam uma parceria com a Infraero para adquirir o equipamento. Ele lembrou que acordos entre o poder público e a iniciativa privada para melhorar os aeroportos do País já aconteceram no Nordeste e em Joinville (SC). ‘‘Toda a ajuda é imprescindível pois já tivemos participação dos empresários paranaenses na ampliação do Afonso Pena’’, comentou.
O presidente da ACP, Ardisson Naim Akel, observou que o problema vem sendo subavaliado pela Infraero. Akel criticou a correspondência emitida por João de Paula, alegando que a Infraero deveria asssumir rapidamente um papel ativo na discussão, apresentando estudos concretos, com custos e projetos para melhorar a eficiência do aeroporto.
Segundo ele, estabelecer a competência de quem vai pagar este investimento apenas desvia o foco do assunto principal que é a melhoria das condições de operação do terminal. O dirigente empresarial estimou que os prejuízos para cada dia de fechamento do Afonso Pena cheguem a R$ 400 mil. (Colaborou Guilherme Vieira)

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