O superintendente da Infraero na região Sul do país, Paulo Contioso de Franceschi, esteve ontem na Câmara de Vereadores de Londrina e condicionou o início das obras do terminal de passageiros do aeroporto local à doação de cerca de 240 mil metros quadrados para ampliação da pista de pouso e decolagem. Além disso, ele afirmou que essa doação não será suficiente para a adequação do aeroporto, conforme previsto em convênio assinado entre a Infraero e prefeitura, em 96.
Contioso foi convidado pelos vereadores para falar sobre as condições atuais do aeroporto e mostrar a real necessidade de sua readequação. Os vereadores questionam os investimentos e mudanças que serão necessárias na área, sendo que há discussões sobre a construção de um outro aeroporto na cidade.
O projeto doando a área para a União, de autoria do Executivo e com a finalidade de ampliação da pista em 300 metros, foi discutido ontem em segunda votação, mas acabou retirado de pauta no final da tarde, a pedido do vereador Célio Guergoletto (PMDB). Ele irá encaminhar um pedido de esclarecimentos ao prefeito sobre a necessidade da elaboração de um Relatório de Impacto Ambiental Urbano (Riau) e a necessidade de desapropriação de novas áreas.
Contioso afirmou que a intenção da Infraero é iniciar as obras de ampliação do terminal de passageiros no ano que vem, investindo cerca de R$ 3 milhões. A obra, prevista no convênio, deve estar concluída em dois anos após seu início, segundo Contioso.
‘‘Mas não podemos investir valores tão altos sem a certeza de que a pista será ampliada. Um terminal é dimensionado de acordo com a previsão de fluxo de passageiros nos horários de pico. O fluxo é grande quando há movimento de aeronaves maiores’’, comentou o superintendente. Atualmente, operam em Londrina aeronaves para até 158 passageiros (727-200). Com a ampliação da pista, segundo ele, será possível a operação de aeronaves para 210 passageiros.
Os equipamentos de auxílio à navegação aérea disponíveis em Londrina também foram alvo das discussões. Londrina opera com o LDB e VOR, considerados ultrapassados por profissionais da área. Contioso assegurou que os equipamentos oferecem total segurança aos pousos e decolagens e informou que é impossível a instalação do ILS (equipamento de maior precisão) na cidade. ‘‘O aeroporto está instalado em local de muitos obstáculos (edifícios, residências etc), que impedem a operação com o ILS’’, disse. Para a instalação do equipamento seria necessária a remoção dos obstáculos.
‘‘Os aviões estão seguros no ar, em Londrina. Em terra é que há perigo’’, comentou o superintendente, ressaltando que as faixas de segurança laterais às pistas, denominadas áreas de cota nula, não atendem às exigências do Ministério da Aeronáutica. As faixas são de 90 metros, enquanto deveriam ser de 150 metros. ‘‘Se a aeronave maior tiver que desviar o curso por algum motivo, estouro de pneu, por exemplo, corremos o risco de ela vir a bater num obstáculo’’ (muro ou casa próxima à pista).
Para a faixa de segurança seria necessária a doação de mais cerca de 300 metros quadrados, avançando em áreas que pertencem à Carambeí, Tiro de Guerra e Avenida Salgado Filho. Esta avenida terá que ser removida. Para Contioso, os investimentos não serão perdidos. ‘‘Este aeroporto será utilizado sempre, mesmo com a construção de um aeroporto metropolitano’’. Contioso volta a debater o assunto hoje às 10 horas, com entidades empresariais e de classe, na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).

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