Maigue Gueths
Desde que foram instalados os radares eletrônicos para fiscalização do limite de velocidade, os motoristas de Curitiba vêm reduzindo dia a dia o número de infrações cometidas. Há três meses um terço dos motoristas trafegava com velocidade acima do permitido, segundo a Diretoria de Trânsito do município (Diretran). Este número foi caindo gradativamente e hoje os radares acusam 7,9% dos veículos com velocidade acima do permitido.
‘‘Este número ainda é alto’’, diz o diretor da Diretran, José Álvaro Twardowski, cuja meta é alcançar com os radares os mesmos resultados obtidos nas lombadas eletrônicas. Quando foram instaladas, em 1992, 15% dos motoristas que passavam por estas lombadas eram multados. Agora, há quase quatro anos o número de multas nas lombadas eletrônicas está estabilizado em 0,02% dos veículos.
O objetivo maior é reduzir o número de acidentes. ‘‘Em Brasília, que foi a primeira cidade a implantar os radares, os acidentes caíram 40%. Nós queremos ir além disso’’, diz Twardowski, lembrando que iniciativas como o Programa Cidadão em Trânsito da Prefeitura e o novo Código de Trânsito já conseguiram reduzir em 24% o número de acidentes em 97 e 98 em comparação a 1996. ‘‘A intenção é terminar o ano 2000 com 50% menos acidentes do que em 96’’, diz.
Para isso, a Diretran considera a fiscalização eletrônica, através de radares, lombadas e ratoeiras, um importante mecanismo, uma vez que o avanço de sinal e o excesso de velocidade são as duas principais causas de acidentes na cidade. Mas se o número de acidentes caiu em relação a 96, dados deste ano não são tão otimistas. Em janeiro e fevereiro o BPtran registrou menos de dois mil acidentes a cada mês. Já em maio o número passou para 2.563 e em junho 2.533.
A natureza da infração também tem mudado desde o lançamento dos 26 radares em Curitiba, no final de junho. A partir de 5 de julho, a Prefeitura também está fazendo uma campanha educativa e de orientação aos motoristas. Até 5 de agosto, os infratores captados pelos radares não estão pagando multa, mas apenas recebendo uma advertência em casa. A partir desta data, as multas começam a ser cobradas.
Hoje, 11% dos infratores passam acima de 20% da velocidade permitida, cometendo falta gravíssima, que implica em multa de 540 Ufirs (R$ 523,80) e 7 pontos na carteira. Outros 89% passam com velocidade até 20% superior ao permitido, cometendo falta grave, que prevê multa de 120 Ufirs (R$ 116,40) e 5 pontos na carteira. Nos primeiros dias de radar, a proporção era de 18% de multas gravíssimas para 82% de graves.
Até agora a Diretran já enviou aproximadamente 45 mil notificações de advertências, mas a expectativa é que chegue a 70 mil até dia 5 de agosto. Caso as multas já estivessem sendo cobradas, isto significaria R$ 7,2 milhões em multas.‘‘O número de infratores está caindo, o que mostra que as pessoas estão entendendo e fazendo o que o código determina’’, afirma Twardowski, que não teme a atuação dos partidos de oposição. Eles estão arrecadando assinaturas para ingressar com um projeto de lei de iniciativa popular na Câmara Municipal pedindo o fim das multas eletrônicas na cidade.Pegos pelo bolso com a possibilidade de multas, os motoristas estão começando a respeitar os limites de velocidade
Mauro FrassonAbusoA velocidade de 60 km/h nas vias rápidas não é respeitada pelos motoristas curitibanos que, flagrados pelos radares, queixam-se das multasMauro FrassonA prefeitura está mudando as placas nas lombadas eletrônicas

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