As desigualdades sociais que existem entre os bairros mais ricos e mais pobres de Londrina são facilmente verificáveis. Enquanto certas localidades contam com infra-estrutura completa, outras sofrem com a falta de condições básicas para sobrevivência dos moradores. Esta realidade reflete-se também dentro dos muros escolares. As diferenças estruturais ocorrem mesmo entre instituições de ensino ligadas à mesma esfera governamental.
A qualidade dos prédios, o desempenho dos alunos e as preocupações das comunidades escolares são diferentes em instituições de ensino de bairros distintos. Enquanto a construção de um muro para impedir invasões da vizinhança preocupa a direção de uma escola, a outra mobiliza-se para adquirir um novo equipamento de som.
Este é apenas um exemplo. Mas eles são muitos quando se compara escolas de classe econômica com renda mais alta e de classe de renda menor na cidade. As condições do prédio da Escola Estadual Dr. Olavo Garcia Ferreira da Silva, localizada no Conjunto Avelino Vieira (Zona Oeste de Londrina), são apenas um item da lista de preocupações da direção da escola, onde estudam perto de 900 alunos da 1 a 8 séries do Ensino Fundamental.
Telhas e vidros quebrados. Portas destruídas e carteiras danificadas. Instalações hidráulicas que precisam ser trocadas. Destruição que é resultado das constantes invasões de moradores dos bairros da região, segundo a própria direção.
O diretor Silvio Sidnei Benini, que está há 20 anos na escola e desde janeiro no cargo, disse que a situação social dos alunos dificulta o trabalho e reflete na falta de conservação da escola. ''Entre os nossos alunos, temos muitos filhos de pedreiros, de desempregados, de prisioneiros. A maioria deles é criada pelos avós, não tem mãe ou pai. Tanto que a escola tem que maneirar no conteúdo porque se apertar no conteúdo ou na disciplina eles vão embora, param de estudar'', adverte.
Mesmo com as dificuldades, a escola ainda conta com biblioteca, projetos de leitura, capoeira, dança e teatro e parceria para aulas de reforço na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Aluna da 5 série, Regislaine Moreira Campos de Melo, elogia os professores, mas critica a falta de segurança. ''Entra muita gente que pula o muro e acaba brigando aqui dentro'', diz.
Segundo o diretor, outro objetivo é montar salas de Ensino Médio para atender os jovens da vizinhança. O problema é a falta de espaço físico, já que a escola conta com apenas seis salas de aula. Aliás, a dificuldade de conseguir mais cômodos para abrigar novas turmas é um ponto em comum entre a Olavo Garcia e a Escola Estadual Carlos Dietz, que fica no Centro da cidade.
O prédio é bem conservado, mas falta espaço para a abertura de turmas da 5 a 8 séries do Ensino Fundamental e de uma sala de informática. A instituição conta com quadra poliesportiva, biblioteca com 6 mil volumes, videoteca com quase mil fitas e todos os alunos andam uniformizados. O resultado é pais e alunos satisfeitos com a qualidade do ensino, além da fila de espera por vaga durante o ano todo.
E as próprias crianças parecem estar bastante satisfeitas com a escola. Aluno da 2 série, Leonardo Lopes Pinto, 8 anos, diz que gosta das aulas de educação artística. ''Mas vou bem em matemática. Tirei cem na última prova'', diz. A colega de sala Fernanda da Silva Terras, 8, disse que gosta da educação física ''para jogar basquete.'' ''Gosto da hora do recreio. Dá pra jogar bola e brincar bastante'', afirma.
As brincadeiras na quadra e no pátio não são as únicas alternativas de lazer. A biblioteca é frequentada no intervalo por quem busca leitura ou para jogar xadrez. Para a diretora Dalva Costa Pinheiro, o ponto alto da escola são os alunos. ''O nível sócio-cultural dos alunos é muito bom. É claro que, pela localização, o nível econômico também é muito bom. Mas também temos filhos de empregadas domésticas, de pedreiros, entre os nossos estudantes'', diz.
Para manter a qualidade, a comunidade se organiza para promover festas e arrecadar dinheiro. Verba que será usada para melhorar ainda mais a estrutura, com a compra de um novo equipamento de som.

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