Londrina

César Augusto‘‘É só investir na captação e no tratamento, que a água estará garantida por muito tempo’’
Luiz Alberto Niero, engenheiro da SaneparTramita na Assembléia Legislativa projeto de lei do deputado Eduardo Trevisan (PTB) que cria a Região Metropolitana de Londrina (RML), formada por seis municípios: Londrina, Cambé, Rolândia, Ibiporã, Jataizinho e Tamarana. A proposta é compor conselhos que planejem, de forma unitária e intermunicipal, o desenvolvimento sócio-econômico-cultural da região. Uma das bases para este desenvolvimento será a industrialização, que com a RML oficializada poderá buscar financiamentos internacionais com maior facilidade.
A nível de governo do Estado, as empresas que abastecem a região com dois produtos básicos para o funcionamento das indústrias - água e energia elétrica - programam novos investimentos, obras de ampliação e maior integração no sistema para os próximos anos. Tudo para garantir que não falte infra-estrutura básica na RML justamente no momento da instalação de indústrias, da geração de empregos e da melhoria na qualidade de vida da população.
‘‘A situação é boa; dificilmente temos interrupção de abastecimento, os chamados blecautes’’
Elmar Lopes, superintendente regional
Liderada por Londrina e Cambé, a segunda Região Metropolitana do Paraná - a de Curitiba foi criada por lei federal em 1973 - nasce com mais de 630 mil habitantes, cerca de 12 mil estabelecimentos comerciais e quase três mil indústrias. Ela é também a segunda no consumo de água e energia elétrica no Estado, atrás apenas de Curitiba.
O seis municípios são abastecidos pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), uma empresa de Sociedade Anônima cujo maior acionista é o governo do Estado. No setor de água e esgotos, duas cidades - Ibiporã e Jataizinho - têm sistema municipal de abastecimento. As outras quatro são atendidas pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), empresa de economia mista também pertencente ao governo estadual.
Com 130.328 ligações de usuários - entre residenciais, comerciais, industriais e outros -, a cidade de Londrina consome, em média, 59 milhões de quilowatts (kw)/hora por mês. Isto representa 5% do total consumido no Estado. Na liderança está Curitiba, que consome cerca de 250 milhões de kw/h por mês; o equivalente a 21% de toda energia gasta no Paraná. Em Londrina, o consumo médio por pessoa é de 197 kw/hora; enquanto que na capital ele é de 221 kw/h.
‘‘A situação em Londrina e região é boa. Dificilmente temos interrupção no abastecimento de energia elétrica, os chamados blecautes. Isto porque estamos localizados no centro de uma região de grande produção de energia, as usinas mais importantes estão perto daqui’’, comenta o superintendente regional de distribuição da Copel, engenheiro eletricista Elmar Lopes.
Na opinião dele, no entanto, Londrina não é uma ilha de tranquilidade dentro de uma situação nacional preocupante. ‘‘É preciso entender o macro-sistema. Não dá para discutir energia do ponto de vista de uma cidade, uma região, de forma isolada. Isto, porque a rede de geração e distribuição de energia, no Brasil inteiro, funciona de maneira interligada, sob o controle da Eletrobrás’’, afirma o superintendente da Copel.
Ele explica que, a nível do Brasil como um todo, são necessárias algumas providências urgentes para se evitar o colapso no sistema de abastecimento. ‘‘A situação é quase crítica, porque com a estabilidade econômica houve um grande aumento no consumo não só residencial - com a compra de novos eletrodomésticos -, mas causado também pela reativação de indústrias’’, argumenta Elmar Lopes. ‘‘Ao mesmo tempo, atrasaram as obras para a construção de novas usinas. O sistema está operando praticamente no limite da nossa capacidade instalada. Isto é muito perigoso.’
Segundo ele, a capacidade de geração da rede, nas regiões sul-sudeste, é de 42 milhões de kw, ao passo que o consumo está em torno de 40 milhões de kw. ‘‘Esta margem de sobra entre o produzido e o consumido é muito estreita. Ela precisa ser, no mínimo, duplicada. Estamos perto de um grave problema, se não diminuirmos o consumo ou não aumentarmos a capacidade de produção’’, diz Elmar Lopes. Ele conta que antes do Plano Real, em 1993, o aumento do consumo de energia no Brasil era de 3,5% ao ano. Agora, o crescimento subiu para perto de 6% ao ano. Em Londrina, de 95 para 96, o crescimento foi de 4,5%; mesmo período em que o aumento em Curitiba foi de apenas 1,3%.
‘‘Como o País não pode economizar energia porque não pode parar de crescer, só temos duas saídas: evitar o desperdício - hoje altíssimo, em torno de 20% do consumo - e construir novas hidrelétricas com urgência’’, ressalta o engenheiro da Copel. ‘‘Nossa empresa e o governo do Paraná estão preocupados com esta situação, e programamos ações para ajudar a resolvê-la. A Copel está terminando a nova usina no rio Iguaçu, perto de Mangueirinha, e vai construir outras no rio Tibagi nos próximos anos. Na região de Londrina, pode ter certeza que não faltará energia elétrica para a industrialização, para o desenvolvimento, e melhorias na qualidade de vida da população.’’
Juntas, Londrina e Cambé - que concentram perto de 90% das indústrias e do comércio da futura RML - consomem diariamente cerca de 110 milhões de litros de água, captada no rio Tibagi (60%), no ribeirão Cafezal (35%) e em poços artesianos (5%). O abastecimento alcança aproximadamente 99% da população das duas cidades. As informações são do engenheiro civil Luiz Alberto Niero, responsável pela área de operação de água da Sanepar em Londrina.
A estação de captação no Tibagi fica a 22 quilômetros a leste do centro de Londrina, e a do Cafezal fica a 7 quilômetros ao sul. Os poços artesianos - com profundidade média de 150 metros - estão concentrados na zona norte de Londrina (dois) e em Cambé (cinco). A atual capacidade instalada para captação e distribuição é de 140 milhões de litros por dia. Toda a água é tratada e recebe o adicionamento de flúor e cloro em duas grandes estações, de onde é bombeada para os centros de reservação e segue para a rede distribuidora.
‘‘O abastecimento é tranquilo e a água é de boa qualidade, em Londrina e região. Há pequenos problemas, em setores localizados de difícil acesso para a rede, que estão sendo solucionados. Felizmente, temos água em abundância. É só investir na captação e no tratamento, que a água estará garantida por muito tempo’’, garante Luiz Niero. Ele conta que o consumo de água em Londrina cresceu, de 95 para 96, 4,1%.
O engenheiro da Sanepar diz que várias obras para a captação e melhoria no sistema de tratamento e distribuição de água estão em execução ou previstas para os próximos meses e anos. A construção de um novo reservatório no sistema Tibagi, com a capacidade para 8 milhões de litros e ao custo de R$ 4,5 milhões, está para ser licitada e deve começar no próximo ano com financiamento do governo federal. Dois reservatórios - totalizando 2,5 milhões de litros - serão construídos na zona norte de Londrina. Outros dois, com capacidade para 5,2 milhões de litros, estão projetados para a zona oeste. Além disto, o anel de distribuição será ampliado em 18 quilômetros nas regiões sul, oeste e norte, nos próximos anos.

mockup