Informática no resgate da cidadania
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Escola de Informática e Cidadania do Shopping Jardim das Américas (EIC-JAM) é um exemplo de que a responsabilidade social não é uma iniciativa que pode ser feita apenas pelas grandes empresas. Além de aulas de informática, alunos dos bairros Jardim das Américas, Uberaba, Capão da Imbuia, Vila Oficinas e Guabirotuba também participam de debates sobre cidadania. E o que aprendem colocam em prática na comunidade onde vivem.
As aulas de informática são trabalhadas junto com temas como cidadania, direitos e deveres, violência, eleições, meio ambiente e legislação. Eles aproveitam a atividade sobre tabelas e gráficos, por exemplo, para calcular o quanto de lixo produzido prejudica o meio ambiente ou então, durante as aulas sobre internet, fazem pesquisas sobre os candidatos a prefeito e vereador da eleição deste ano. Os temas de debate são sugeridos pelos próprios estudantes. ''Usamos a informática para o resgate da cidadania. O objetivo é fazer o aluno participar, valorizar e respeitar a sua comunidade. E para isso ele põe a mão na massa, faz acontecer'', afirma a coordenadora da escola Márcia Molin Pastre.
No final de cada módulo, os estudantes, que têm idades entre 14 e 90 anos, escolhem que organização da comunidade vão ajudar. Eles mesmos mobilizam a arrecadação de materiais e qual atividade será realizada. Recentemente, foi a vez da sede da Associação de Moradores Moradias Cajuru, uma das mais antigas de Curitiba, localizada no bairro Jardim das Américas, contar com o trabalho voluntário dos alunos. Estudantes, educadores e voluntários da EIC passaram o dia em um mutirão que pintou toda frente da associação.
O trabalho foi muito bem recebido pelo presidente da associação, Carlos Alberto Ferreira, conhecido na região como ''Seu Juca'' e que também participou do mutirão. A associação oferece atividades de contraturno, aulas de futebol e capoeira para as crianças, cursos de alfabetização para adultos e grupos de artesanato. Aproximadamente 500 pessoas da comunidade frequentam o local, que depende de doações e estava com parte da estrutura pixada e com sinais do tempo. ''A associação precisava bastante da pintura. É importante também porque dizem que aqui é violento, mas não, as pessoas precisam ver que é um espaço da comunidade. Ainda estamos procurando parceria para reformar a cancha de futebol e montar mais uma sala de aula para a alfabetização de adultos'', diz.
Quando começou o curso de informática, o aluno José Ramos Forbeci, 66 anos, não sabia que teria que participar de trabalhos voluntários. Ele, que é delegado de polícia aposentado e se matriculou porque tinha interesse em aprender a utilizar corretamente um computador, se encantou com a inicativa social. ''Achei excelente. A gente interage, conhece as pessoas e os problemas do nosso bairro e resolvemos unidos, pelo voluntariado, que visa fazer o bem para o outro, o que é muito difícil. Dá vontade de querer ser útil'', conta.


