Numa história recente da medicina, muitos diagnósticos eram feitos com auxílio de poucos equipamentos disponíveis no mercado e muita perspicácia – e por que não dizer alguma intuição – dos médicos. Não raras vezes eram necessárias cirurgias para se chegar ao diagnóstico exato. O cenário começou a mudar com o desenvolvimento da informática e hoje há equipamentos capazes de apresentar, com exatidão, uma boa parcela dos males que atingem nosso organismo, com medições e funcionamento exatos das células e órgãos.
A descobeta do Raio-X foi uma revolução, mas as suas limitações eram evidentes: como as imagens são sobrepostas, não é possível identificar com precisão todas as alterações. A informática possibilitou o surgimento de ultra-sons, tomografia, ressonância magnética e aparelho de litotripsia, só para citar alguns, revolucionando o setor de diagnósticos.
O técnico em tomografia da Ultramed, Flávio José Andreassa, destaca que o exame estuda todo o corpo humano, sem limitações. Com o auxílio do computador, é possível programar o feixe de raios e fatiar a área a ser estudada, possibilitando visualizá-la internamente. E o que é ainda melhor: a imagem fica gravada na memória do computador, sendo possível ampliá-la, medi-la, enfim, manipular a imagem até que se consiga chegar ao diagnóstico exato. Para o paciente, o processo é rápido e ele pode ir para casa em pouco tempo.
‘‘É uma verdadeira revolução. Antes, o médico só tinha chances de detectar que havia algo de anormal no exame’’, comenta Andreassa. No caso da tomografia, o computador possibilita medir exatamente a distância em que se encontra um tumor, por exemplo, e qual o melhor ângulo para atingi-lo. Se solicitado pelo médico, também é possível introduzir uma agulha para coleta de material para biopsia quando encontrado algo estranho em qualquer parte do corpo, exceto no crânio. Para este último caso, o computador apresenta todas as medidas, facilitando a localização do corpo estranho, para a coleta de material em centro cirúrgico.
A ressonância magnética vai um pouco além, vindo a substituir cirurgias antes necessárias para elaboração de diagnósticos, como por exemplo a artroscopia diagnóstica, usada para detectar alterações em cartilagem, menisco e ligamentos em joelhos. As imagens coletadas pela ressonância também são gravadas na memória do computador para ser manipuladas posteriormente.
E o que dizer do ultra-som em três dimensões? Com essa nova tecnologia é possível ver os traços físicos do bebê dentro da barriga da mãe. Mas matar a curiosidade sobre como será o filho antes que ele nasça é apenas uma possibilidade do ultra-som 3D. O que ele faz e que realmente pode ser encarado como um grande avanço na área de diagnósticos é detalhar cada parte do corpo do bebê, possibilitando detectar problemas físicos ou de saúde. Com isso, vários casos podem ser corrigidos antes do nascimento.
O tratamento ortopédico também ganhou um importante aliado. Já está em funcionamento, em Londrina, o equipamento de litotripsia – o Dornier Compact S – que permite um tratamento por ondas de choque e substitui o ato cirúrgico na maioria dos casos para os quais é indicado. Entre eles estão as bursites em geral, calcificação de ombro, tendinites e epicondinites (popularmente conhecidas como cotovelo de tenista).
O dornier usa os princípios da ultra-sonografia e, também graças à informática, permite que todo o tratamento seja planejado e executado com precisão milimétrica e documentado simultaneamente à sua aplicação. ‘‘Enquanto se destrói uma calcificação óssea, por exemplo, o paciente acompanha, na tela do computador, o que está ocorrendo’’, comenta o ortopedista Leopoldo Storti. -
No Brasil, atualmente há apenas quatro aparelhos iguais a esse, sendo dois deles no Paraná – Londrina e Curitiba. O tratamento é indolor e não invasivo.
A velocidade com que surgem novidades nesta área faz com que as clínicas invistam com frequência em novos equipamentos. O médico Mauro Takeda salienta que, em média, a clínica da qual é sócio recebe equipamentos novos de duas a três vezes por ano.
‘‘Com a evolução da informática aplicada à radiologia foi possível aumentar em muito os conhecimentos sobre a morfologia e o comportamento de patologias além de propiciar sua detecção com maior precocidade.’’ Ele acrescenta que, paralelamente, houve uma grande evolução de técnicas cirúrgicas como videocirurgia (cirurgia sem cortes), laser e cirurgia endoscópica, que passaram a exigir dos métodos de diagnóstico por imagem, informações mais precisas para o planejamento antecipado, assegurando resultados que antes do advento da informática eram apenas ficção.

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