Informática ajuda na alfabetização de crianças deficientes
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quinta-feira, 31 de julho de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Dorico da SilvaProgressosA professora Honor com os alunos: Computadores são ultrapassados mas muito úteis para nósA informática está ajudando a alfabetizar um grupo de crianças portadoras de deficiências auditivas ou visuais. Outras, já alfabetizadas, estão recebendo reforço em Língua Portuguesa. É um projeto desenvolvido por professoras da escola estadual Hugo Simas, localizada no centro de Londrina, com a ajuda do Comitê para Democratização da Informática local. Os estudantes aprendem a manusear o computador, trabalham com textos e participam de diversos jogos. Segundo Honor Alves Capucho, professora dos deficientes auditivos, o progresso está sendo muito grande.
Ela conta que a idéia de levar os alunos deficientes para o computador existe há dois anos. Mas os professores esbarravam na falta de recursos financeiros para a compra de equipamentos. O problema foi resolvido quando elas entraram em contato com o Comitê, que tem o objetivo de reivindicar junto a empresários da Cidade a doação de computadores para comunidades carentes.
A sala de educação especial da escola Hugo Simas recebeu seis computadores do tipo XT, um dos primeiros a ser lançados no mercado e de uso bastante limitado. O projeto conta também com um modelo Pentium, que é bem mais avançado, e foi comprado através de campanhas e ajuda dos professores. Honor Capucho ressalta que o computador é uma ferramenta de trabalho. No caso dos deficientes auditivos, a máquina ajuda no aprendizado porque os alunos podem visualizar as palavras, explica a professora. Os deficientes auditivos têm grande potencial visual. Como o computador é colorido, interessante, ajuda bastante.
Honor Capucho explica que, no caso das crianças com deficiência visual, elas não são totalmente cegas mas com visão subnormal. O computador é útil porque amplia bastante as letras. Honor lembra que o modelo Pentium é bastante utilizado pelos deficientes visuais porque possui caixas de som acopladas.
Ela comenta que o Pentium já recebeu a instalação de um programa específico para deficientes visuais, desenvolvido no Rio de Janeiro, o DOS Vox. A vantagem dele, segundo a professora, é a reprodução dos sons da palavra digitada. O software ainda não entrou em funcionamento.
A instalação do projeto exigiu poucos investimentos por parte do colégio, diz a professora. A Associação de Pais e Mestres só comprou móveis e material para a instalação.
Mesmo com equipamentos obsoletos, Honor Capucho diz que a escola está desenvolvendo um bom trabalho. Os computadores são ultrapassados mas muito úteis para nós. Ela comenta que as crianças não consideram o computador como atividade escolar, mas como um brinquedo. Eles aprendem de uma forma fácil, agradável. Não existe pressão, ressalta.
O Comitê Para a Democratização da Informática de Londrina já montou dois laboratórios, além do Hugo Simas: nos jardins União da Vitória e São Lourenço, ambos na zona sul. O coordenador geral do Comitê, Ronaldo José Nascimento, diz que, se o número de doações fosse maior, a entidade teria possibilidade de criar também outros laboratórios. Na zona sul, eles atendem 280 crianças carentes em atividades de iniciação à informática.
Ronaldo Nascimento é professor do curso de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina e lembra que os membros do Comitê são de várias profissões e não visam lucro com o trabalho. O objetivo é proporcionar o contato da comunidade mais pobre com a informática. A entidade foi inspirada no Comitê Para a Democratização da Informática do Rio de Janeiro, famoso por levar o computador às favelas daquela capital.
O coordenador geral comenta as dificuldades que membros do Comitê londrinense encontram para receber doação de equipamentos. O empresário brasileiro não tem uma cultura de doação e o nosso trabalho fica limitado porque viver de doação é muito desgastante, reclama. Ele lembra que há um ano solicitou junto a Sercomtel a hospedagem de uma home page divulgando uma campanha para a doação de equipamentos ao Comitê, mas até agora ainda não conseguiram o benefício.
Serviço: Quem quiser doar equipamentos de informática ao Comitê Para a Democratização da Informática de Londrina deve ligar para a coordenação do Comitê, através do fone 325-8534, ou para a escola Hugo Simas, fone 323-7303.


