Marcelo AlmeidaDesafioCentro atende semanalmente crianças de duas escolas públicas com históricos de reprovação escolar e um grupo de menores de rua levados por uma ONGO projeto de uso da informática como motivador do aprendizado, mantido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) há dois anos para ajudar crianças e menores de rua com dificuldades de aprendizagem, deverá abranger também um programa inovador de alfabetização de adultos. A idéia é utilizar softwares pedagógicos e outros recursos oferecidos pela informática, como a Internet, para estimular e facilitar o processo de desenvolvimento do raciocínio. O programa de ensino deverá funcionar nos mesmos moldes das atividades que vêm sendo desenvolvidas pelo Centro de Assessoramento Pedagógico (Ceape), da UFPR, junto às crianças carentes.
‘‘O computador é um instrumento de ensino poderoso, que não permite que o aluno fique passivo diante dos desafios’’, explica a coordenadora do Ceape, Maria Odete Bettega. Atualmente, o Centro atende semanalmente crianças de duas escolas públicas com históricos de reprovação escolar e um grupo de menores de rua levados pela Organização Não-Governamental Casa José. Os resultados obtidos com o projeto serão utilizados para compor a metodologia de ensino que será aplicada na alfabetização de adultos.
Segundo Maria Odete, o progresso na capacidade de aprendizagem dos alunos depois do contato com o computador é enorme. ‘‘Ninguém volta para a escola do mesmo jeito que chegou aqui’’, diz. O resultado é ainda mais visível no grupo de crianças e adolescentes marginalizados, que passam a desenvolver desde a coordenação motora e o raciocínio lógico até a auto-estima. ‘‘A maioria deles apresenta experiências traumáticas relacionadas à escola e por isso resiste ao aprendizado convencional’’, explica a professora Gláucia Brito, do Ceape.
O menino Anderson, de 12 anos, é um dos menores da Casa José que têm frequentado o núcleo de informática da UFPR nos últimos meses. Já dominando os comandos básicos do computador e atento às recomendações feitas pelos professores que acompanham o projeto, os educadores da Casa José comentam que o convívio com a informática mudou sua personalidade. ‘‘Ele se tornou uma pessoa mais espontânea e confiante na sua própria capacidade’’, conta o educador Adel Yousseif.
Os professores do Ceape acreditam que, no programa de alfabetização de adultos, os computadores também poderão servir como um poderoso chamariz para os alunos, preocupados com o crescente uso da informática no mercado de trabalho.

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