Apesar das mudanças na legislação, alugar um imóvel pode ainda trazer dor de cabeça para quem trabalha sem carteira assinada. É o caso da garçonete Neuza Maria Martins, que trabalha no mesmo buffet há vários anos, com uma renda que varia entre R$ 800,00 e R$ 900,00, mas está morando de favor na casa de um irmão por não conseguir alugar um imóvel.
''Já estou há três procurando, mas além dos valores que são muito altos, não consigo apresentar a documentação exigida e arrumar um fiador, que tem que ter imóvel próprio e ganhar pelo menos o correspondente a três vezes o valor do aluguel'', queixa-se Neuza.
A única saída encontrada pela garçonete é alugar diretamente com o proprietário, dispensando a burocracia. ''O problema é encontrar. Quando a gente fica sabendo que alguém vai alugar um imóvel, já tem fila de espera. Algumas pessoas pagam até três aluguéis adiantados para segurar a casa.'' Enquanto a garçonete não encontra uma opção que caiba no seu orçamento, mantém seus móveis e pertences amontoados na casa de dois quartos do irmão. ''Ele tem quatro crianças. A situação está complicada.''
Dificuldades parecidas são vividas por um metalúrgico aposentado, que prefere não se identificar. Ele explica que o seu nome está com restrição ao crédito por problemas causados por um filho, mas recebe R$ 2,5 mil por mês de aposentadoria. ''Nunca atrasei aluguel, pago religiosamente. Cheguei a propor que o valor fosse descontado diretamente da minha conta, mas nem assim consegui.'' O atual imóvel alugado por ele foi negociado diretamente com o dono e agora, para locar outro por meio de imobiliária, o aposentado cogita fazer o contrato em nome de um neto. (S.L.)

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